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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Avenida importante em Osasco tem esgoto a céu aberto e se torna depósito de entulho

Por imoi

Por Paulo Talarico

 

“Quando eu comprei a casa, muitos me disseram ‘não compre’, pois vão desapropriar para ampliação da avenida. Vivi 28 anos ali, me mudei e a via não chegou”, afirma o caminhoneiro Antonio da Cruz Paiva, 64, proprietário de uma residência na região da avenida Visconde de Nova Granada, a margem do córrego João Alves.

O local fica na cidade de Osasco, região metropolitana da Grande São Paulo, e é uma importante ligação entre as regiões norte e sul do município. Apesar disso, os moradores aguardam há anos projetos de duplicação e canalização do esgoto.

Enquanto as obras não chegam, as pessoas são obrigadas a conviver com sujeira, esgoto a céu aberto e entulho. “Antes eles vinham com as máquinas e levavam, só que agora está um lixo”, complementa Paiva, que diz que há pelo menos seis anos não vê uma grande limpeza na região.

“É muito pernilongo e tem noite que a gente não consegue dormir. Não se pode deixar nada na pia, porque enche de insetos”, diz a aposentada Maria Tereza Siqueira, 80.
Ela também explica que o mau cheiro prejudica a saúde dela e do marido, de 79 anos, que faz tratamento de hemodiálise. “O vento traz tudo para cá.”

Em 2009, uma parte da reforma foi entregue, mas um trecho com mais de um quilômetro permanece abandonado.

Quem vive do lado da via em que não houve reparos, denominada avenida Sport Club Corinthians Paulista, caminha por trilhas estreitas de terra, na beira do córrego, para chegar às casas. É preciso circular em meio a lixo, móveis velhos e eletrodomésticos jogados no local.

Na frente do muro de um condomínio, objetos queimados também atrapalham a passagem. “Olha ali, o lixeiro não pega nada daquilo”, afirma o morador Oscar Ribeiro, 65.
Por outro lado, a primeira parte da duplicação da avenida trouxe ao menos um benefício para os moradores: “A água parou de vir até aqui. Eles baixaram mais, daí não deu mais inundação”, diz Ribeiro.

Em novembro do ano passado, alguns jornais da cidade noticiaram que o governo federal havia liberado uma verba de R$ 50 milhões para realização da obra. Entretanto, a assessoria de imprensa da prefeitura informou, na quinta-feira (15/3), que o projeto ainda não havia sido aprovado e que a construção não havia sido iniciada por isso.

De acordo com a Secretaria de Obras do município, “a limpeza do córrego é realizada constantemente”, mas “as chuvas dificultam o trabalho no local”. Quanto ao entulho, afirmam que são os moradores que têm  de contratar uma caçamba para a retirada pois, “assim como em várias outras [cidades] da região metropolitana, além da própria capital”, a prefeitura de Osasco não dispõe desse serviço.


Paulo Talarico, 21, é correspondente comunitário de Osasco.
@PauloTalarico
paulotalarico.mural@gmail.com

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