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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Moradores de Itapevi sofrem com falta de transporte e pavimentação de via

Por Blog

Por Narayhana Pereira

“Meu pé afunda na poeira, saio com botas de plástico e depois calço o sapato dentro do ônibus, dessa forma não chego com meu calçado empoeirado no trabalho”, diz José Rodrigues, 45, marceneiro.

Ele mora em Itapevi, cidade da Grande São Paulo. No município, que faz divisa com São Roque, no interior do Estado, algumas ruas não são pavimentadas e os moradores andam a cavalo como opção de transporte.

“Recentemente, estava caminhando, e um vizinho me ofereceu carona em sua carroça. Eu aceitei. É engraçado, mas a ajuda serviu para eu não chegar atrasada no trabalho”, declara a estagiária Dharana Pereira, 25.

Uma das vias sem asfalto é a Estrada da Cruz Grande, principal acesso aos bairros Jardim Jurema e Chácaras Monte Serrat.

Homem anda a cavalo em rua sem asfalto, em Itapevi

Quando chove, a lama e as poças d’água dificultam o caminho, carros de pequeno porte e ônibus não conseguem transitar em muitos trechos.

“Em época de chuva a Benfica [empresa responsável pelo transporte da cidade] suspende a passagem em lugares com grandes obstáculos ou que o coletivo já atolou. Os moradores não têm outra opção a não ser fazer o trajeto a pé,” conta Renan Hitto, 20, estudante.

A única linha que percorre a estrada até o fim é a Cruz Grande – Terminal Itapevi, mas o intervalo entre os veículos é de uma hora, segundo informa o site da Benfica. Apenas um ônibus faz a viagem e, no horário de refeição dos motoristas, a espera pode chegar a quase duas horas.

“O último coletivo sai do terminal à meia-noite. Isso dificulta a vida de quem estuda. Eu já perdi um ônibus por cinco minutos, porque ele saiu adiantado. Não tive outra opção a não ser voltar a pé até a minha casa”, diz Matheus, 18, estudante.

“Os atrasos aqui são comuns, estranho é quando a lotação passa no horário certo. Eu já fiquei durante duas horas e meia esperando em pé na esquina, pois aqui não tem ponto de ônibus, nem calçada”, afirma Dharana Pereira.

O Mural entrou em contato com a prefeitura de Itapevi e com a empresa de ônibus Benfica, mas não recebeu resposta.

 

Narayhana Pereira, 21, correspondente de Itapevi.
@narayhana
narayhana.mural@gmail.com

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