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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Mulheres assumem a limpeza pública no Itaim Paulista

Por imoi
Por Vander Ramos
 
 
Há três meses, 84 mulheres atuam em um campo de trabalho antes dominado só por homens, no Itaim Paulista, bairro da zona leste paulistana. Elas varrem as ruas, capinam terrenos municipais e ruas e pintam guias de calçada e postes, além de fazer todo tipo de serviço na zeladoria pública do bairro.
Apesar de usar rigorosamente o uniforme da cabeça aos pés, as garis não dispensam os cuidados com a beleza. Os cabelos são quase sempre presos em um boné, por exigência da empresa.
 
Cristineide Maria dos Santos, 37, é uma delas. O Mural a encontrou com uma enxada nas mãos, cortando o mato que crescia em uma calçada. “Temos de ter carinho com o nosso trabalho e, ao mesmo tempo, cuidar de nossa aparência.”
 
 
O serralheiro Robson Lacerda diz que foi a primeira vez que viu mulheres varrendo ou capinando as ruas no Itaim Paulista. “As ruas estão mais limpas, e elas são simpáticas”. A aposentada Carmem Cristina Pereira, 81, diz que “elas são heroínas, pois todos os dias varem as ruas sem nenhuma vergonha de ser mulher e ficar escondida debaixo do uniforme neste calor”.
 
Maria Nazareth Martins Silva, 47, a mais velha gari da nova turma, gosta dos elogios que recebe dos moradores. Antes trabalhou por  dez anos como faxineira em uma oficina de carros, mas acha o novo trabalho melhor. “Aqui tenho tranquilidade e um contato maior com outras pessoas”.
 
 
A maioria das garis entrevistadas têm a mesma rotina: acordam entre 5h e 5h30, preparam a comida na marmita, acordam os filhos para a escola, trabalham entre 7h e 15h20, retornam ao lar por volta das 16h30 , limpam a casa, lavam roupa, fazem a comida do dia seguinte e dormem às 23h. Algumas vão à igreja e estudam em escolas para adultos (EJA) em unidades municipais.

 
 
A mais nova, Tatiane Nascimento dos Santos, tem 18 anos, faz o segundo ano do ensino médio e não tem vergonha de falar para seus colegas que é gari.
 
 
 
Ana Martins Cordeiro, 40, vendia pano de prato na avenida Paulista no ano passado. “Um rapaz me falou que uma empresa estava admitindo mulher para limpeza pública e que era a oportunidade de trabalhar com carteira assinada, fui verificar e hoje estou amando meu serviço.”
 
Os moradores aprovaram a mudança na equipe, “os homens são muito grossos ao falar com a gente”, diz a dona de casa Laura Bittencourt, 48, com aprovação de seu marido Sebastião Bittencourt, 54.
 
Todas as garis só têm uma reclamação. “O único trabalho que não gostamos é tirar cachorro morto da rua. É horrível e um trabalho que ninguém quer fazer”, afirma Cibele Muniz, 27.
 
 
 
Vander Ramos, 51, é correspondente do Itaim Paulista.
@vander521
vander.mural@gmail.com
 
 

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