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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Moradores do Campo Limpo ficam sem água no fim de semana

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Por Patrícia Silva

Em quatro bairros do Campo Limpo, zona sul de São Paulo, os moradores têm a mesma reclamação: a falta de água durante o fim de semana. Os Jardins Ingá, Rebouças, Ana Maria e Olinda estão entre as regiões afetadas.

O problema, segundo a população, acontece há anos.

A falta de abastecimento prejudica apenas uma parcela dos habitantes e, em uma mesma rua, é possível verificar casas com e sem fornecimento. “Tem gente que trabalha durante a semana e, quando falta água, atrapalha todo serviço”, diz a artesã Débora de Paula Tavares, 30.

No salão de beleza improvisado, a manicure Leila Lima, 26, sabe que não pode deixar de encher o galão de água na sexta-feira à noite. Caso não o faça, no dia seguinte poderá perder as clientes. “Eu moro aqui [Jardim Olinda] há nove anos e todo sábado acontece isso”, conta.

Moradores do Jardim Ana Maria e Rebouças reclamam da falta de água nos finais de semana

A aposentada Lurdes Miguel, 58, também se diz insatisfeita com o mau abastecimento de sua rua, a Cintra Pimentel. “Eles [Sabesp] não têm explicação. Falam que no sistema não tem nada. No sábado, minha filha traz o uniforme do serviço, aí eu tenho de levantar mais cedo, porque entre às 11h e 11h30 já não tem água”, reclama.

No Jardim Olinda, moradores das ruas Canori, Carualina, Claretiana, Chimarrão, Ceresópolis, Alessandro Algardi, Carandazinho e Caraíva também sofrem com a situação.

A empregada doméstica Regina de Fátima Ferreira Brito, 54, mudou a sua rotina de trabalho para se adequar ao fornecimento. “Eu tenho de lavar a roupa na sexta ou levantar mais cedo no sábado”, diz. Ela também reclama da falta de avisos da Companhia de Saneamento Básico (Sabesp) à população. “Só quando vai faltar água durante vários dias ou alguma coisa arrebenta que eles informam”.

No Jardim Ingá, a população reclama que chega a ficar sem abastecimento durante dois ou três dias seguidos. “Ontem não teve água [14/4] e no fim do mês passado faltou bastante. Muita gente já ligou para Sabesp e eles falam que é manutenção, mas a gente não acredita”, diz o comerciante Francisco Alberto Vidal, 39.

População utiliza mais de uma caixa d’água para minimizar o mau fornecimento.

Na mesma região, moradores das vias Alexandre Bening, Castanho Mirim e Mário Linhares confirmam o problema.

Como a situação é recorrente, Vidal adotou o uso de duas caixas d’água e procura manter um tambor de 600 litros de reserva. Mesmo assim, às vezes, ainda é pego de surpresa. “Ontem mesmo eu estava tomando banho e faltou água na caixa. Eu tive de arranjar do vizinho para terminar”.

O Mural também detectou falta de abastecimento nas ruas Diogo Martins, no Jardim Ana Maria, e Cinquentenário, no Jardim Rebouças.

A Sabesp informou que as ruas citadas na matéria apresentam “curtos períodos de baixa pressão, principalmente, quando ocorrem altas temperaturas, já que  há um aumento significativo do consumo. A companhia já tem previsto em seu plano de investimentos obras que vão aumentar a oferta de água para a região a médio prazo. De imediato, técnicos da empresa estão percorrendo o local para realizar adequações e estudos que reflitam na melhoria a curto prazo do sistema”.

A Sabesp destacou, ainda, que esteve nos principais pontos da região ontem (17/04) e  o abastecimento estava normalizado.

 

Patrícia Silva, 23, é correspondente do Campo Limpo.
@Patricia_Aps
patriciasilva.mural@gmail.com

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