Grafiteiros pintam muros em comemoração ao aniversário de Guaianases

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Por Vander Ramos

Nos dias 12 e 13/5 aconteceu o evento “Supremacia de Rua”, que reuniu  dezoito grupos de grafite de diversos lugares de São Paulo, para dar um colorido especial aos 250 metros do muro da Rua Isabela, em uma grande exposição  artística ao céu aberto.

O evento fez parte da grade de aniversário dos 151 anos de Guaianases, bairro da zona leste paulistana.

A força tarefa foi organizada por seis grafiteiros e pela “crew” (grupo) OTM (Operação Tinta no Muro). Segundo Eder Silveiro Alexandre, 27, conhecido como “Sow”, a ideia do encontro é reunir em um só lugar vários estilos técnicos e estéticos das “crews” de São Paulo.

“Temos aqui representantes das crews da zona norte, centro, sul e da leste”, comenta Sow.

Outro objetivo do encontro é trabalhar a união das crews e mostrar como elas trabalham no coletivo. “Buscamos o intercâmbio das técnicas de cada um, além da união dos trabalhos”, diz o grafiteiro Sow.

Para o morador Aguinaldo, a pintura no muro deve ser sempre valorizada, pois saber respeitar a vontade dos outros é respeitar a própria vida. Ele reclamou à reportagem do Mural que vários moradores criticaram os trabalhos dos artistas de rua. “Teve um vizinho meu que falou se os artistas não tem mais o que fazer ao invés de ficar pintando o muro”.

Em uma volta pelo quarteirão, encontramos duas moradoras que dividiram as opiniões sobre a arte muralista dos grafiteiros. “Há dois anos eles pintaram aquele muro e deixaram tudo sujo na calçada, sem contar que a pintura não diz nada com nada”, critica a enfermeira Ana Paula Mendes Feitora, 34.

A professora Cleusa Gustavo Lima, 30, discorda da amiga, “a arte deve ser mostrada em todos os cantos do planeta, é uma forma de expressão. Se não entendemos é porque ela [a pintura] não nos sensibilizou devido ao bloqueio que algumas pessoas se submetem”.

Cleusa lembrou que os primeiros traços de nossas vidas na escola é o desenho e não entende porque quando adultos rejeitamos esta forma de comunicação.

A aposentada Maria Aparecida Gomes, 72, disse que o trabalho dos artistas é muito bonito e colorido. “A gente reclama por que não sabemos fazer o colorido que eles fazem, é pura inveja de quem nunca pintou a própria casa”. Ela enfatizou que esta arte só é bonita quando pintada em muros de lugares esquecidos pelo poder público.

“Em lugares bonitos ou em galerias não chama a atenção, eu gosto do contraste: Um muro bem pintado e uma rua feia, aí o lugar chama nossa atenção”, finaliza.

 

Vander Ramos, 51, é correspondente do Itaim Paulista.
@vander521
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