Em Itaquera, acesso a cinema ainda é luxo

Por izabela moi

Por Lívia Lima

 

“Foi uma surpresa, a gente não sabia que tinha”, comenta Regina da Silva, 28, psicóloga do Centro Social Fé e Alegria, comentando sobre a sessão de cinema que ia assistir com seus pacientes, portadores de necessidades especiais.

Regina e as crianças e os adolescentes atendidos pela ONG foram convidados para uma das sessões promovidas na sede da subprefeitura de Itaquera, zona leste de São Paulo. O prédio, um antigo shopping, tem uma sala de projeção e desde junho de 2011 há exibições gratuitas de filmes.

O projeto Sala de Cinema foi idealizado por Simone Alauk, 22, jornalista da subprefeitura e tem parceria com a Rede Brazucah, produtora cultural de difusão do cinema brasileiro, e o apoio da Associação Cultural e Beneficente ABC – Dinda. As sessões acontecem todas as sextas-feiras, às 10h e às 15h.

 

 

“Não há restrição de público, seguimos apenas a restrição da classificação etária do filme a ser exibido”, conta Simone, que afirma que mais de 10 mil pessoas já assistiram as sessões desde seu início.

O projeto, no entanto, não é muito conhecido no bairro. Renata Almeida, 29, atendente de um pet shop que fica em frente à subprefeitura, se surpreendeu ao ser informada sobre as sessões (durante esta reportagem) e lamentou que os horários não são ideais. “Se fosse de domingo… mas esse horário é mais para a aposentados ou adolescentes”.

De acordo com um levantamento feito em 2009 pela Rede Nossa São Paulo, do percentual de salas de cinema de toda a cidade, apenas 7,52% estão localizadosem Itaquera. Eeste é um dos índices mais altos dos bairros do extremo leste da capital. São Miguel, Guaianazes e Cidade Tiradentes, distritos vizinhos, têm índices valor zero.

Na zona leste, as salas de cinema existentes pertencem a grandes redes e ficam nos shoppings. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o ingresso de cinemaem São Pauloé um dos mais caros do mundo, R$ 20, em média. “Cinema é caro”, comenta Thiago Neves, 31, auxiliar administrativo, morador da região.

“Lazer e entretenimento são recentes no bairro, mas esse ‘boom’ do estádio da Copa do Mundo vai atrair mais interesse e investimento”, afirma Paulo Máximo, 60, subprefeito de Itaquera.

 

 

 

Lívia Lima, 24, correspondente de Artur Alvim.
@livialimasilva
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