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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Carteiros da zona norte não chegam ao bairro Jardim Paraná

Por izabela moi

Por Cleber Arruda

Duas ou três vezes por mês, a vigilante Sandra Marias Novaes, 33, pega um ônibus e vai até uma agência dos Correios da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, para buscar as suas correspondências. O motivo é que os carteiros não realizam entregas no bairro onde ela mora, o Jardim Paraná, localizado na região da Brasilândia, também na zona norte, e as entregas dos moradores são depositadas em uma caixa postal comunitária nessa agência.

“É complicado, pois muitas correspondências extraviam. Já paguei várias faturas atrasadas. Sem contar que há materiais que precisam de assinatura para serem entregues em até três dias. É preciso ter uma bola de cristal para saber se chegou algo com esse tipo de urgência”, diz Sandra.

A moradora conta que, por causa dos problemas que já enfrentou por isso, dá o endereço de uma irmã para assegurar as entregas mais importantes.

 

 

Rua Imigrantes do Norte, no Jardim Paraná, zona norte de SP, onde carteiros não realizam entrega

 

É o mesmo que faz a diarista Maria de Fátima Gomes, 42, também moradora do bairro. “Tanto para receber cartas da minha família de Pernambuco ou faturas, uso o endereço da minha filha ou do meu enteado, que moram no bairro do Jardim Damasceno ou na Freguesia do Ó. Só deixo para pegar na caixa dos Correios contas mais simples”, afirma.

Segundo elas e outros residentes, as correspondências do Jardim Paraná eram entregues em uma associação dos moradores, mas há cerca de dois anos o local fechou e tudo passou a ficar na agência.

“É muito difícil essa situação. Gastamos condução para ir até lá e às vezes voltamos de mãos vazias, sem contar que já paguei contas atrasadas e perdi correspondências”, reclama a dona de casa Eliane Josefa da Silva, 31.

 

Rua Imigrantes do Norte é uma das muitas do bairro que não recebe correspondência

 

O Mural entrou em contato com a assessoria dos Correios, que, em nota de esclarecimento enviada por email, afirma que há condições mínimas que são requisitos a entrega seja prevista:

“Entre os requisitos previstos, além da oficialização dos logradouros, o local a ser atendido deve oferecer condições de acesso e segurança para resguardar a integridade física do entregador e dos objetos postais. Os logradouros e vias devem possuir placas indicativas de nomes instaladas pelo órgão municipal ou distrital responsável, a numeração das residências deve ser oficial e obedecer ao critério de ordenamento crescente, sendo um lado do logradouro par e outro ímpar, e os moradores devem instalar caixas receptoras de correspondências na entrada das residências”.

Cleber Arruda, 30, é correspondente do Jardim Damasceno.
@CleberArruda
cleber.mural@gmail.com

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