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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Em Paraisópolis, entre a arte e o telemarketing

Por izabela moi

Por Vagner de Alencar

 

Tudo acontece na última de casa de uma sequência de outras residências em uma viela sem nome em Paraisópolis, a segunda maior favela de São Paulo, localizada na zona sul da capital. De sua laje, Raica e Smile, duas cachorras sem raça definida, latem juntas assim que Joseane Silva, 35, abre o portão. Joseane é a moradora do pequeno imóvel de dos dois cômodos.

Logo na entrada, uma máquina de costura está acomodada sobre uma mesa. Por ali, há também cavalete e telas brancas, bisnagas de tintas a óleo, agulhas, lápis, pincéis e um computador. São essas as principais ferramentas da ex-operadora de telemarketing que, há um ano e meio, largou as vendas por telefone para tentar viver da sua arte.

“Sempre gostei de pintura e desenho. Comecei a pintar aos 12 anos”, afirma.

 

 

Hoje, Joseane se sustenta por meio da venda das peças de costura, mas também dos retratos de grafite e dos quadros a tinta a óleo. “Sempre quis largar o telemarketing. Então levantei uma grana e montei meu próprio ateliê. A ficha caiu. Mesmo sabendo das dificuldades, decidi arriscar”, diz.

Os retratos feitos a grafite são os mais procurados. “Tem gente que pede da família toda de uma só vez”, conta. Embora a demanda seja grande, o valor cobrado pelas peças ainda é baixo. “Um quadro de 40X50 não dá pra vender por mais de R$ 60”.

A principal aliada de Joseane tem sido a internet. “Faço propaganda pelo meu blog.” Segundo a artista, os sites e blogs de arte também a ajudam a aprimorar suas técnicas, além de fazer contatos. “Aprendi a usar o photoshop assistindo a tutoriais.”

“A recomendação mais importante que encontrei foi produzir mais quadros, nem que seja um por dia. Picasso, por exemplo, não conseguiu ser famoso com uma tela só. Com Van Gogh foi a mesma coisa.”

Vagner de Alencar, 25, é correspondente de Paraisópolis.
@vagnerdealencar
vagnerdealencar.mural@gmail.com

 

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