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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Moradores de favela na Penha recebem doações após incêndio

Por Blog

Depois do incêndio que atingiu na noite de quarta-feira(14), a favela do Aracati, localizada na Penha, zona leste de São Paulo, os moradores desabrigados permaneceram na rua e receberam doações para passar o dia.

Cerca de 150 barracos foram destruídos, segundo a Defesa Civil.

Além dos colchões e cobertores fornecidos pelo cadastro da secretaria de assistência social, a ajuda chegou por Ongs, igrejas, parentes e vizinhos do bairro.

Durante o tempo em que o Mural esteve no local, alguns carros também passaram e abriam a janela para deixar sacolas com roupas ou mantimentos.

A moradora Sandra Bezerra, 40, já estava deitada quando ouviu uma gritaria e teve que sair correndo, conseguindo salvar apenas o filho de 6 anos. Ela passou a madrugada inteira na rua e precisou tocar a campainha de uma casa próxima para pedir uma meia, pois sentia frio no pé. “A mulher acabou me dando a meia e um tênis, que estou usando agora”, diz.

O incêndio destruiu 150 barracos dos barracos na favela do Aracati

Segundo ela, durante o dia muitos levaram café com leite, pão e alimentos para tentar ajudar. “As pessoas estão trazendo e nós estamos pegando de bom coração”.

Marcelo Henrique, 46, também madrugou na rua, cuidando de um fogão, um armário e a televisão que conseguiu resgatar antes do fogo destruir tudo. Morador da favela há um ano, ele estava com mais três crianças.

Andréia Lúcia Bezerra, 36, não era moradora do Aracati, mas estava no local tentando dar assistência e levar para sua casa a irmã Adriana Bezerra, que permanecia sem reação após o ocorrido. Ela morava com duas crianças pequenas e um rapaz. Tudo o que restou para eles foram os documentos.

Para a Ana dos Santos, 33, muita gente tem colaborado, mas apenas isso não é suficiente. “Chega roupa, calçado e alimento, mas as pessoas precisam de moradia”, reclama. “Enquanto ninguém tem para onde ir, precisa limpar o que queimou e tentar levantar novamente”.

Maria Madalena, 58, coletora de material para reciclagem, também espera que conseguir encontrar um local para viver. Ela não teve o barraco queimado, mas passou a noite na rua porque estava tudo molhado. “Nós queremos moradia”, diz.

Marina Lopes, 20, é correspondente da Penha.
@marina_lopesmf
marinalopes.mural@gmail.com

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