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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Áreas de risco são desconhecidas por moradores do Campo Limpo

Por Blog

O preço acessível do aluguel, de R$ 350 por mês, levou o serralheiro Aneir Rezende, 31, a morar na rua Alexandre Archipenko, no Campo Limpo, zona sul de São Paulo, com a mulher e os filhos. Entretanto, apesar de gostar da região, Rezende não sabia que sua casa estava em uma área de risco.

Assim como o serralheiro, outros moradores abordados pelo Mural também se surpreenderam com os perigos de erosão e escorregamento da via. Segundo eles, técnicos da prefeitura nunca vieram alertá-los sobre os possíveis contratempos. “Eu não sabia, estou sabendo agora. Já faz seis anos que eu vivo aqui e nunca vi ninguém”, ressalta a merendeira Tatiana Maria Soares, 33.

Rua Alexandre Archipenko, moradores cobram assistência da prefeitura para região

Ao mesmo tempo em que cobram a atenção do órgão público, as famílias temem perder as suas casas. “Se eles tirarem [as moradias] vai favorecer só para eles”, completa Rezende.

Segundo mapeamento do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), feito a pedido da Prefeitura de São Paulo, o Campo Limpo ocupa a terceira posição entre os distritos com maior número de áreas de risco da cidade, com 32 locais. A região só fica atrás do M’Boi Mirim e da Capela do Socorro, ambas na zona sul, e com, respectivamente, 50 e 42 pontos vulneráveis.

“A única coisa que a gente sabe é que pode alagar a rua”, afirma o vigilante Luciano Costa, 24.

Outros problemas complicam a vida das famílias que moram na rua Alexandre Archipenko, como a falta de canalização de um córrego no fim da rua. “Já asfaltaram [a via], mas ali nada. Não tem ninguém para correr atrás. Quando vem táxi, ninguém quer passar ali”, diz o vigilante Edson Oliveira, 36.

A rua Cinco Irmãos, no Jardim Rebouças, também está entre as áreas com risco de erosão mapeadas pelo IPT. Os moradores afirmam que não recebem acompanhamento da prefeitura. Contudo, temem intervenções como a retirada das casas.

A única medida que cobram, no entanto, é um muro de proteção próximo a rua Diogo Martins, no Jardim Ana Maria. Lá, carros e crianças correm risco de cair no córrego Olaria.

Na rua Cinco Irmãos, população pede muro de proteção próximo a córrego

Em resposta, a Subprefeitura do Campo Limpo informou que o terreno da rua Alexandre Archipenko é uma área particular, sendo as intervenções realizadas a critério do proprietário. O órgão disse ainda que a área de risco passa por vistoriais e acompanhamento com a população. Em 2013, será construído um muro de contenção no trecho da encosta.

A subprefeitura também afirmou que o córrego mais próximo, na rua Canto Bonito –afluente do córrego conhecido como “Morro do S”– recebe limpeza rotineira. As manutenções mais recentes ocorreram no fim de janeiro.

Quanto a rua Cinco Irmãos, o órgão destacou que as obras necessárias estão em fase de orçamento e que a prefeitura discute um plano de ação e monitoramento de áreas de risco na cidade. A iniciativa vai incluir reuniões e palestras educativas com os moradores.

Ressalta também que, entre 2008 e 2009, a rua Diogo Martins recebeu obras de contenção.

Patrícia Silva, 24, é correspondente do Campo Limpo.
@Patricia_Aps
patriciasilva.mural@gmail.com

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