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Em Itaquaquecetuba, biblioteca de escola está guardada em armários há 5 anos

Por Blog

Os alunos da escola estadual Maurício Alves Braz, no Jd. Maragogipe, em Itaquaquecetuba, Grande São Paulo, contam com uma biblioteca improvisada desde que um incêndio em 2008 reduziu a cinzas os livros da instituição. Desde então, os estudantes encontram dificuldades para fazer as pesquisas solicitadas por professores.

Para amenizar a situação, a diretoria improvisou e colocou os livros em três armários antigos de escritório. Os estudantes podem emprestar títulos sobre temas como história, entretenimento e literatura por um prazo de 15 dias. Porém, o serviço não está disponível em todos os horários.

Armários onde ficam guardados os livros da biblioteca da escola

Quem estuda na parte da manhã, por exemplo, é prejudicado. “Somos orientados a procurar o funcionário responsável à noite, o que deixa mais difícil o nosso acesso a leitura”, conta o aluno Lucas*.

Beatriz, 14, frequentou a escola por três anos e meio sem saber que poderia emprestar livros. “Estudei da quinta a oitava no Maurício e não era muito divulgado aos alunos da manhã que a escola tinha livros para nossa utilização”, conta. Ela mudou de escola no começo deste ano.

Júlia, 16, cursa o Ensino Médio à noite e é uma das leitoras assíduas dos livros da escola. Ela costuma emprestar de dois a três exemplares de cada vez. “Gosto muito de ler e acho importante ter este hábito para conseguir um desenvolvimento melhor nas matérias”, diz a estudante, que tem Machado de Assis como um de seus autores preferidos.

Contudo, quando o conteúdo exigido não é encontrado na escola, ela vai até uma lan house, já que não possui computador em casa e os equipamentos do laboratório de informática da escola foram roubados. “Gastamos até R$ 2,00 por hora de acesso, sem contar a impressão do que foi pesquisado”, diz Júlia.

Fachada da escola estadual Maurício Alves Braz, localizada no Jd. Maragogipe

Outra opção de consulta é a Biblioteca Municipal, no Centro, a cinco quilômetros do bairro. O caminho é feito de ônibus, com custo de R$ 5,80. Lá,  o trabalho escolar pode ser feito a mão ou em um telecentro que fica no local.

A Secretaria Estadual de Educação disse que a escola Maurício Alves Braz foi incluída no programa Sala de Leitura e que o acervo foi reorganizado e disposto em uma sala para atender aos alunos. O órgão informou ainda que foi iniciado um processo de seleção para contratar um professor para cuidar do espaço. Entretanto, a reportagem do Mural conversou com os alunos após o recebimento desta resposta, e eles disseram que os livros continuam nos armários.

Em relação a sala de informática, o governo informou que o espaço será equipado com 21 computadores, cuja instalação está prevista para ser iniciada na próxima semana.

*Os nomes usados nesta reportagem foram trocados a pedido dos entrevistados.

Camila Ribeiro, 22, é correspondente de Itaquaquecetuba
@ribeirocamila
camilaribeiro.mural@gmail.com

 

 

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