Roqueiros do Jardim Damasceno lucram no mundo do forró

Por Blog

Quem curte o rock’n roll da Stragos, banda do Jardim Damasceno, zona norte de São Paulo, vai ter que aguardar um bom tempo para revê-los nos palcos. O grupo está com a agenda lotada de shows do seu novo projeto: a banda de forró Fakes do Baile. Forró, isso mesmo!

Os quatro irmãos José Orlando Santos (Amaral), 32, Orisvan Antônio Santos (Birro), 28, Francisco Silva (Kuka), 26, e Francinaldo Silva (Fran), 23, junto com o amigo baterista Mauro Costa, 27, todos da formação original do Stragos, contam com mais duas vocalistas para o grupo de forró: Luciana Santos, 21, que também é irmã dos quatro integrantes, e Gabriele Alves, 18.

Confira abaixo a entrevista que a Fakes do Baile concedeu para o Mural.

Banda do Jardim Damaceno troca o rock pelo forró

Mural: Como surgiu a ideia de tocar forró?

Fakes do Baile: Tudo começou com brincadeiras nos ensaios. Um dia, quando passávamos o som da nossa banda de rock, tocamos uma música do Aviões do Forró. A dona de uma casa de show gostou e chamou a gente para tocar. Não aceitamos. Isso aconteceu outra vez e acabamos negociando a proposta. Ensaiamos umas 20 músicas e deu muito certo. Com esse primeiro show, já fomos chamados para tocar em outro lugar.

Por que forró e não outro ritmo?

Nossos bateristas sempre gostaram de imitar o baterista do Aviões do Forró, que é muito bom, e a gente sempre brincava nos ensaios. Mas, é principalmente pela cultura das nossas famílias também. Toda festa em casa toca forró e o pessoal gosta muito.

E qual a reação do público da Stragos em relação a banda de forró?

Teve bastante crítica no começo. Perguntavam o que era isso que estávamos fazendo, mandavam a gente parar. Por outro lado, também recebemos apoio de muitas pessoas. Teve gente que gostou bastante do Fakes do Baile.

Por que Fakes do Baile?

Fakes é falso. Esse nome dá essa sensação de duplo sentido da banda, afinal, os caras são todos roqueiros. É irônico até, pois o Birro continua usando camiseta de bandas de rock no show. Até nas fotos de trabalho!

Quais as principais diferenças de estilo?

Musicalmente, acho que o forró é bem mais simples que o rock. A energia do público também é totalmente diferente. O público do rock é menor e mais crítico. Já o do forró é maior e menos exigente, não liga muito para o que banda está tocando. Fica todo mundo dançando. Outro dia vimos uma banda tocando forró e o sanfoneiro estava fingindo que estava tocando. Não saía nada do instrumento! Só a gente, que estava prestando atenção neles, percebeu. Mas, a principal diferença é o aprendizado todo que estamos vivendo.

E o retorno da banda de forró?

É bem maior e acontecem coisas que nunca imaginávamos. Estamos nessa há seis meses e temos duas músicas de trabalho tocando em 21 rádios do Nordeste e em três programas na rádio Imprensa FM, aqui de São Paulo. Temos até uma promoção nessa rádio, que já teve um grande retorno. Com mais de dez anos de Stragos, temos uma música veiculada no rádio. Sem contar que já recebemos até proposta para tocar forró no Nordeste, mas por enquanto ainda não podemos financeiramente.

Então já rende mais que a banda Stragos?

Sim, atualmente só temos shows agendados para tocar com a Fakes do Baile. O cachê é bem melhor, mas não abandonamos a Stragos. O problema é que apesar de já termos  um nome consolidado com a Stragos, não somos valorizados. O governo e a prefeitura só nos chamam para tocar de graça. Preferem pagar bandas menores de fora para tocar aqui.

Quais são as principais dificuldades da Fakes do Baile?

Não temos produtores, concorremos com bandas empresariadas. Corremos atrás de tudo sozinhos. Até para divulgar o nosso trabalho na internet é difícil, pois enfrentamos o problema da falta de banda larga do nosso bairro. A conexão aqui é muito complicada e toda nossa divulgação acontece principalmente, por meio das redes sociais.

Há Planos para o futuro?

Compor mais e gravar um CD da Fakes do Baile. Atualmente temos um demo com cinco músicas só para divulgação. Mas, já temos seis músicas nossas. Para a Stragos, esperamos mais espaço.

 

Cleber Arruda, 31,  é correspondente do Jardim Damasceno.
@CleberArruda
cleber.mural@gmail.com