Grupos organizam mostra teatral na Comunidade da Paz, em Itaquera

Por Blog

Entre os dias 19 e 21 de abril, ocorreu na quadra da Comunidade da Paz, em Itaquera, zona leste de São Paulo, diversas apresentações de grupos de teatro. A “Mostra pela Paz” foi organizada pelo Grupo Parlendas, com o apoio do Comitê Popular da Copa e o movimento Comunidades Unidas da Zona Leste, com o objetivo de propiciar acesso a atividades culturais para os moradores e despertar a atenção das pessoas para a possível remoção da comunidade do local.

Atores do Núcleo Pavanelli, teatro de rua e circo, durante apresentação no domingo (21)

“Fizemos este evento para chamar atenção. Mobilizar não só as pessoas de fora, mas também os moradores. A ideia é fazer com que eles (os moradores) se apropriem deste espaço. Aqui existe uma comunidade viva, ativa. Quando ocorre uma desapropriação, a comunidade se enfraquece, a memória é apagada”, explica o ator e integrante do Grupo Parlendas Mário Viana, 38.

O grupo, cuja sede fica no bairro Cidade Patriarca, zona leste, vem realizando aulas de teatro na Comunidade da Paz por meio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro. Ele está, também, envolvido nas discussões a respeito do destino dos moradores devido às obras do futuro Parque Linear do Rio Verde e a construção do estádio do Corinthians.

Segundo a atriz e membro do Parlendas, Natalia Siufi, 24, a união dos movimentos junto ao Comitê Popular da Copa e o Comunidades Unidas da Zona Leste trouxe resultados positivos. “Conseguimos o plano de habitação alternativo ao Parque Linear, elaborado por uma equipe de engenheiros da USP, com a urbanização local e retirada de 30 famílias”, afirma.

Durante os três dias de mostra teatral, também participaram com apoio e apresentações os grupos: Brava Cia, Cia Estável de Teatro, Coletivo da Albertina, Circo Teatro Palombar, As três Marias, O Sol e a Lua, Núcleo Pavanelli de Teatro de rua e Circo, Trupe Lona Preta, Cia Nóis na Mala, Cia Antropofágica, Buraco D’Óraculo, Pombas Urbanas, Cia Kiwi, Coletivo Território B e Dolores Boca Aberta.

“Foi muito bom quando o teatro veio para cá e começou a trabalhar com as crianças, trazendo mais cultura. Eu sempre falo: levantem as mãos para o céu, porque hoje vocês têm apresentações aqui, a céu aberto, e não pagam nada. Só de ver o sorriso deles, é ótimo”, afirma a dona de casa Valquíria de Oliveira, 38.

Moradores da comunidade e participantes da mostra assistem intervenção de grafite

A Comunidade da Paz existe há cerca de vinte anos embaixo do viaduto da estação de Metrô Corinthians-Itaquera e está localizada em região de vulnerabilidade, sem rede de tratamento de esgotos e asfalto. De acordo com informações da prefeitura, a remoção da comunidade é necessária por se tratar de uma área de risco.

Mesmo com todas as dificuldades, o morador Pedro Epitácio, 58, uma das lideranças do bairro, diz que é um bom lugar para se morar. “Gostaríamos que a maior parte dos moradores ficasse aqui e apenas saíssem as famílias próximas do rio”.

“Esta mostra é boa para que os moradores participem mais, porque parece que eles não percebem a gravidade da situação. A desapropriação, que era para ocorrer dia 27 de março, foi adiada por 90 dias, mas vai ocorrer novamente, e algo terá que ser feito. Os moradores ainda não se deram conta de que não é uma decisão definitiva”, explica Maria Pereira, 62, do Comitê Popular da Copa e Movimento de Moradia.

Lívia Lima, 26, é correspondente de Artur Alvim
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Sandrah Sagrado, 50, é correspondente de Itaquera
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Thaís Santana, 22, é correspondente de Anhanguera
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