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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Novos prédios de Osasco são feitos em ruas sem asfalto

Por Blog

Quando visitou o apartamento em que iria morar, o professor de Biologia Leonardo Gazolla da Silva, 27, ficou preocupado ao ver que a rua José Timóteo da Silva, no Jardim Cirino, não possuía asfalto, guias e calçadas. Enviou uma solicitação para a Prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo, em fevereiro de 2012, no qual solicitou que o serviço fosse feito.

Em novembro, ele foi morar na residência e, apenas em abril deste ano, a administração municipal enviou uma resposta, na qual dizia que a solicitação seria arquivada, pois havia “planejamento de pavimentação” para a localidade. Contudo, não informou quando faria as obras.

Rua possui iluminação pública e sinalização de trânsito, mas não tem asfalto

“É até meio constrangedor chamar alguém para nos visitar em casa com a rua desse jeito. O primo da minha esposa, por exemplo, veio e perguntou se podia deixar o carro ali embaixo. [Questionou] se não era perigoso”, conta.

Situada próximo a divisa com a cidade de Carapicuíba, na zona sul de Osasco, a rua José Timóteo da Silva faz a ligação entre os bairros Cirino e Quitaúna. Mesmo assim, em quase um quilômetro, apenas um pequeno trecho da via tem asfalto. “Para começar, gera muito pó. Para sair sempre têm muitos buracos pela frente e acaba estragando o carro. O esgoto também está a céu aberto”, reclama Gazzolla.

O caso contrasta com a expansão do local, onde outros apartamentos estão em construção. A via possui iluminação pública e até mesmo sinais de trânsito – é proibida a circulação de caminhões nos horários de pico, de segunda a sexta-feira. Além disso, a linha de ônibus 005, Jardim Cirino-Vila Yara passa pela rua.

Sem pavimento na subida, via se torna perigosa para os veículos

Entre as vias Olívio Basílio Marçal e Antônio Peres Paniágua se encontra a pior situação. Em função do abandono, a região se tornou um depósito de lixo, de entulho e de água parada nos pneus que foram deixados ali. Em cima de um córrego, apenas um veículo passa por vez pelo lamaçal.

“Têm problemas para os carros, com assalto, mato alto, várias coisas. Também vêm pessoas de caminhão e despejam lixo por aqui”, afirma o soldado do exército Alan Santiago, 21, morador do bairro desde que nasceu. Ele conta que a rua sempre teve essa dificuldade, mas que a região passou por mudanças recentes. “Melhorou tudo lá em cima. Aqui embaixo parou no tempo, mas agora o tempo começou a andar de volta”, avalia.

Em cima do córrego, apenas um carro por vez consegue passar

Prefeitura

Questionada, a Prefeitura de Osasco informou, por meio da Secretaria de Serviços e Obras, que várias ruas da região foram pavimentadas, “entretanto, os recursos disponíveis não possibilitaram a pavimentação de algumas dessas vias”. Explicou que foram priorizados locais com maior número de residências e que a Rua José Timóteo da Silva “não possuía um movimento tão intenso como hoje”.

Porém, o órgão não deu prazo para início e conclusão das obras. Disse, apenas, que busca uma parceria com a iniciativa privada ou com o governo federal para resolver o problema e que uma parte da rua está em desacordo com o projeto inicial, o que atrapalhou o projeto de pavimentação. “Todos os esforços estão sendo adotados”, promete, em nota.

Paulo Talarico, 23, é correspondente de Osasco.
@PauloTalarico
paulotalarico.mural@gmail.com

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