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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Estudo aponta que Grajaú é o pior distrito para viver em São Paulo

Por Blog

Uma conjuntura de problemas colocou o Grajaú, distrito da zona sul de São Paulo, como o pior no quesito qualidade de vida. Foi o que mostrou a versão atualizada do Mapa da Desigualdade, elaborado pela Rede Nossa São Paulo e apresentado na sexta-feira (7) no Sesc Consolação. Dos 55 critérios analisados, o Grajaú registrou 32 indicadores classificados como ruins.

Uma das deficiências da região é o baixo número de livros disponíveis em acervos de bibliotecas e pontos de leitura. Segundo o levantamento, há 0,03 obras infanto-juvenis por habitante. Em relação às publicações destinadas aos adultos, o índice é ainda menor, de 0,01.

Com 31 indicadores negativos aparece o Capão Redondo, seguido por Brás e Brasilândia, ambos com 30. A classificação dos piores distritos da capital paulista reúne 29 localidades, como Jabaquara, Campo Limpo, São Miguel, Pari e Sé.

Entre os 10 piores de São Paulo, aparece o distrito de Cidade Dutra que, assim como o Grajaú, enfrenta grandes problemas com relação ao acesso de livros.

A estudante universitária Dalila Ferreira, 27, mora no bairro Jardim Iporanga e conta que quando criança foi incentivada a ler por uma professora da Sala de Leitura –programa do governo federal. “Meus pais também gostavam de me ver lendo. Achavam bonito”, lembra.

Ranking dos distritos paulistanos com pior qualidade de vida

Hoje, a jovem sempre está com uma obra na bolsa. “Normalmente pego livros na faculdade ou troco em sebos. Ou até mesmo, vou às feiras de troca na região da avenida Paulista e no bairro da Vila Madalena, na zona oeste.”

Mas para ir a uma biblioteca, a estudante precisa fazer grandes deslocamentos pela cidade. “Preciso sair do meu bairro para ter acesso à leitura”, ressalta.

Os distritos da Consolação e Sé ficaram com os melhores resultados nas categorias de livros infanto-juvenis e livros direcionados a adultos, com  8,96 e 16,69 por habitante.

No entanto, das 55 localidades, mais de 40 tiveram indicador zero nas duas categorias de obras literárias. Os dados são de 2011 e não foram contabilizadas as bibliotecas dos CEUs. A Unesco recomenda um mínimo de dois livros per capta.

Outros distritos da zona sul, além do Grajaú e Capão Redondo, também apresentaram índices preocupantes. Dados de 2011 apontam que o Campo Limpo, por exemplo, tem o pior indicador relacionado ao número de óbitos por homicídio dentro de um conjunto de 100 mil habitantes, com 16,93. Nessa mesma relação, o índice de homicídios de jovens do sexo masculino, entre 15 e 29 anos, chega a 82,37.

Rafael Carneiro da Cunha, 23, é correspondente da Lapa
@rafaelccunha
rafaelccunha.mural@gmail.com

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