CEU deve recuperar ideia original de Marta, diz secretário da Educação

Por Blog

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), deve recuperar a ideia original do CEU (Centro de Educação Unificado) –que integrava educação, esporte e cultura– como era a ideia original da ex-prefeita Marta Suplicy, analisou o secretário de Educação, Cesar Callegari, em entrevista ao Mural.

Para que isso aconteça, as secretarias de Educação, Cultura e Esporte estão se articulando. “Estamos constituindo um comitê central de programação com representantes das três secretarias”, contou Callegari. O comitê dará amparo à programação dos CEUs. De acordo com o secretário, a prefeitura fez uma alteração profunda em toda a equipe dirigente dos centros para permitir a articulação das três pastas.

“[A ideia] geral é fazer com que as atividades culturais a serem desenvolvidas nos CEUs não sejam só de formação de público, mas acreditamos na circulação de eventos culturais, principalmente em bairros mais afastados das regiões centrais”, disse. A intenção é que a comunidade volte a ter o CEU como referência de sua própria manifestação e que participem dos grupos e atividades desenvolvidas nos centros educacionais. Para Callegari a ideia é que os aparelhos também sejam usados para formação esportiva.

A entrevista realizada com o secretário de Educação, Cesar Callegari, no auditório da Folha também abordou outros temas.

O secretário de Educação, Cesar Callegari (Foto: Tamiris Gomes)

AMPLIAÇÃO DOS CEUS

A prefeitura está ampliando o número de CEUs na cidade. “Nós temos um plano de construção de 20 novos CEUs, 10 dos quais já têm áreas identificadas. Trabalhamos com a ideia de aproveitar  equipamentos pré-existentes, como clubes escolas”, explicou.

De acordo com Callegari, o começo das obras depende da autorização do Ministério da Educação. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano trabalha para licitar as obras. No total, São Paulo tem 45 CEUs com 120 mil crianças matriculadas.

MAIS EDUCAÇÃO

No mês de agosto foi lançado o programa Mais Educação, “uma reorganização curricular e de reestruturação administrativa, expansão e fortalecimento da rede pública municipal. O primeiro capítulo desse plano é a expansão de vagas, sobre tudo, na área da educação infantil”, explicou. Atualmente, a cidade de São Paulo tem déficit de 127.400 vagas para crianças de 0 a 3 anos.

O secretário contou que a prefeitura trabalha  em 367 novas obras educacionais, sendo 243 creches, o que deve contemplar 55 mil crianças. “Provavelmente antes de 2016 teremos todas as crianças de 4 e 5 anos já devidamente matriculadas”.

FIM DA APROVAÇÃO AUTOMÁTICA 

Uma mudança na legislação permitirá maior rigor na reprovação dos alunos, em todos os níveis de ensino.

Até agora, o ensino fundamental é dividido em dois ciclos, e ao final de cada um, o aluno poderia ser reprovado. O primeiro ciclo corresponde do 1° ao 4° ano e o segundo do 5° ao 9°. De acordo com a  proposta, o ensino terá três ciclos e permitirá a reprovação no 3º, 6º, 7º, 8º e 9º ano. O primeiro ciclo, do 1° ao 3° ano, será dedicado apenas a alfabetização.

VOLTA DAS NOTAS NUMÉRICAS

A nova proposta curricular acabará também com as atuais três únicas notas:  P (plenamente satisfatório), S (satisfatório) e NS (não satisfatório). A avaliação voltará a ser de zero a dez. A mudança foi implantada na gestão de Luiza Erundina (1992-1996), época em que Paulo Freire era secretário da Educação.  “Mas não se trata de criar uma maquina de reprovação”, afirmou o secretário.

DIREITOS E DEVERES

A prefeitura pretende deixar claro para os alunos os seus direitos e deveres. Para isso, será elaborado um código de conduta único. Atualmente, as punições ficam a cargo do conselho de escola, órgão colegiado, composto por toda a comunidade escolar.

SUPERLOTAÇÃO DAS SALAS DE AULA

Quando perguntado sobre a superlotação de salas de aula, o secretário questionou a existência de salas com mais de 40 alunos.  Segundo ele, a média é de 29 alunos e o máximo de 35.

Ressaltou, no entanto, que essas condições não são ideais e a que a intenção é “trabalhar para melhorá-las”.

 

(Texto: Olívia Freitas e Raphael Preto. Produção: Olívia Freitas. Foto: Tamiris Gomes).