Carros apreendidos ocupam rua de delegacia em São Miguel Paulista

Por Blog

O entorno do 22º DP (Distrito Policial), em São Miguel Paulista, na zona leste, está ocupado por cerca de 40 carros abandonados. Frutos de apreensão e sem espaço na cidade para serem alocados, alguns dos veículos estão ali há mais de dois anos. “Ou eles voltam para seus donos, ou vão ficar por aqui mesmo”, afirmou um policial que pediu para não ser identificado.

São, pelo menos, 40 carros no entorno da delegacia

Segundo o delegado Adílson Donófrio, 60, alguns donos já foram encontrados, mas não quiseram buscar os automóveis. “Esse é o principal problema. A polícia cumpre o seu papel achando o carro roubado. O proprietário não se interessa ou porque já recebeu do seguro, ou pelo veículo estar deteriorado ou com muitas multas”, disse. “Nós só podemos liberar o carro depois de o inquérito ser sanado”, complementou.

Luiz Rodrigues, 39, funcionário de um estacionamento na rua da delegacia há mais de três anos, diz que, por ter duas escolas no mesmo endereço do DP, o trânsito não anda quando os pais vão levar ou buscar os filhos. “Os carros já saíram da garagem da delegacia e estão tomando as ruas”, afirmou.

Abandonados, carros têm focos de dengue, segundo trabalhador da redondeza

Segundo Rodrigues, “por estarem abandonados, a maioria dos carros tem focos de dengue, e algumas pessoas escondem até drogas neles”, disse. “Uma carcaça de um carro que pegou fogo foi simplesmente jogada ali pela polícia. Quem iria querer aquilo?”, questionou. A Polícia Civil negou as acusações.

Enquanto levava sua filha para a escola municipal Arquiteto Luís Saia, a empresária Lourdes Mafra, 36, reclamou do trânsito constante na região. “Perdemos uma faixa por causa desses carros. Essa parte da rua já é complicada, porque o cruzamento é muito confuso — ninguém respeita. Agora, piorou”, disse. “Perco, diariamente, cerca de 10 minutos só nessa rua”, complementou.

Alguns automóveis já ocupam a rua Américo Gomes da Costa, que tem duas escolas

Para o paisagista Luiz Pereira, 53, a Justiça tem que ser mais rápida, “porque os veículos estão apodrecendo e prejudicando não só o trabalho da polícia, mas também a população”.

Segundo Pereira, uma solução seria o leilão dos carros apreendidos e dos veículos que os donos não querem buscar. “A verba poderia ser destinada à escolas e hospitais. Meu filho, por exemplo, ficou três meses sem material escolar. Ia para a escola e o professor tinha que se virar para conseguir dar aula”.

De acordo com o delegado Donófrio, o Estado abriu, recentemente, uma licitação para a compra de um terreno, que se tornaria uma garagem para esses automóveis e de outros distritos policiais. O Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital) não se pronunciou.

 

Luís Adorno, 19, é correspondente da Vila Jacuí
@LuisAdorno
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