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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Casarão abandonado na V. Guilherme será transformado em casa de cultura

Por Blog

Após dez anos abandonado, um casarão da Vila Guilherme, na zona norte de São Paulo, será transformado em uma casa de cultura, um espaço dedicado para oficinas e apresentações de música, teatro e outras artes.

O imóvel, que fica na rua Coronel Jordão, está em processo de transferência para a Secretaria Municipal de Cultura. Porém, não há previsão para a reabertura do local.

A futura casa de cultura sofre com pichações e vidros quebrados, mesmo com um posto policial comunitário em frente ao espaço, instalado desde 1998.

Fachada do casarão, erguido na década de 1920
Fachada do casarão, erguido na década de 1920

O fato de o casarão ser tombado desde o ano passado torna mais demorada a realização da reforma.

 “Provavelmente durante este ano iremos avaliar os projetos e a captação de recursos”, diz Eduardo Sena, 37, diretor de Expansão Cultural da Secretaria de Cultura. O trabalho será acompanhado por técnicos do patrimônio público para avaliar o que pode ser modificado na atual estrutura do imóvel.

A história do casarão se confunde com a do próprio bairro. Construído na década de 1920, o espaço abrigou inicialmente o Grupo Escolar Vila Guilherme, primeira escola da região. Quando a instituição mudou de endereço, o terreno virou a sede da administração regional da Vila Maria/Vila Guilherme.

Em 2004, as administrações regionais passaram a se chamar subprefeituras. Com isso, houve aumento no quadro de funcionários e o órgão precisou deixar o casarão.

A reforma visa aumentar o número de equipamentos públicos municipais no bairro. Atualmente, a biblioteca Álvares de Azevedo é a única opção cultural para os moradores da região.

Hoje, o local é usado como depósito do Revelando SP, festival que destaca a produção cultural de várias regiões do Estado e é realizado no parque do Trote.  “A proximidade com o parque agiliza bastante a produção do festival de folclore”, disse o grupo que organiza o evento, por meio de nota. O Revelando SP informou, ainda, que tem um projeto cultural  para o casarão.

Imóvel é alvo de pichações e atualmente é usado como depósito
Imóvel é alvo de pichações e atualmente é usado como depósito

 

O ator e produtor Pedro Zacarias, 30, tentou utilizar o espaço, mas teve uma surpresa. “Imaginávamos que não havia nada lá. Só descobrimos que era usado como depósito quando procuramos a subprefeitura”, conta. “Em 2002, fizemos uma mostra de dramaturgia no espaço, quando ainda era sede da administração regional”.

Amilton Ferreira, 54, é sócio de Pedro e critica a falta de equipamentos culturais na Vila Guilherme. Ele diz que a Universidade Anhanguera e a Universidade Paulista (Unip), que possuem unidades no bairro, contam com teatros de cerca de 500 lugares cada um, mas são pouco utilizados.

“Quando abriram, a proposta era que fossem espaços culturais para a comunidade. Usaram umas duas vezes e depois fecharam”, diz Amilton.

Em nota, a Unip afirmou que o uso do teatro deve ser “solicitado à direção da instituição, especificando a finalidade, para que se verifique o interesse acadêmico e social da atividade e a disponibilidade do espaço”.

Já a Anhanguera disse “que realiza anualmente eventos como palestras, reuniões, eventos culturais, colações de grau e semanas de cursos com envolvimento de toda a comunidade.”

Raphael Preto, 19, é correspondente da Vila Guilherme
@preto_raphael
raphaelpreto.mural@gmail.com

 

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