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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Em Paraisópolis, vielas recebem nomes de políticos e moradores

Por Blog

Apesar da expressão “beco sem saída”, na favela, os becos e vielas normalmente têm acesso por dois lados. Em Paraisópolis, na maior favela de São Paulo, zona sul da capital, há centenas de pequenos labirintos, que surgem a partir da construção desordenada das casas, com variados formatos e nomenclaturas.

Com nomes de políticos (viela Mário Covas), presidentes da União de Moradores (Zé Rolim e Gilson), moradores antigos (viela Amadeu, viela Marisa) ou adjetivos diversos (viela Paraíso, viela da Alegria), essas ruelas não interligam apenas as principais ruas da comunidade, mas moradores e histórias.

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É o caso da auxiliar de cabeleireiro Janaína Cardoso Santiago, 26. Desde os dois anos de idade na comunidade, sua casa sempre esteve incrustada dentro de um beco. Passou pelas vielas Paraná e Campinho, até se mudar, há sete meses, para a viela Bom Jesus.

“Quem mora em um beco ouve bem menos barulho do que quem vive em uma casa na rua”, garante. Outra vantagem, destaca, é o estreitamento das relações sociais. “Assim que me mudei para cá, fiz grandes amigos. Virei comadre da minha vizinha, com quem estudei e não via há muito tempo”, conta.

Mas nem só de bons relacionamentos vivem as vielas. “Já morei em outros lugares que os moradores jogavam muito lixo”, conta Janaína. Se de um lado a sujeira é um dos fatores que impedem a boa convivência, do outro também está a falta de iluminação.

Na viela da Alegria, os “puxadinhos” ocuparam todos os cantos, tornando-a um verdadeiro túnel escuro. “Mesmo com a escuridão, o povo não deixa de aproveitar”, comenta a dona de casa Luana Fernandes, 26. Em seu beco, um morador montou um comércio de carregadores de celular e fones de ouvidos.

Íngremes ou planos, os becos podem ser estreitos, capazes de não passar uma pessoa na mesma direção, ou extensos, com acesso de motocicletas — como é o caso da viela da Alegria. No aperto, as pessoas constroem suas vidas.

Vagner de Alencar, 26, é correspondente de Paraisópolis
@vagnerdealencar
vagnerdealencar.mural@gmail.com

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