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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Na zona norte, moradores sofrem com ponto “viciado” de lixo

Por Blog

Há pelo menos 18 anos existe um terreno na rua Manoel Vieira da Luz, altura do 500, que recebe lixo de moradores e não moradores dos bairros Jardim Filhos da Terra e Jardim Fontális, na zona norte de São Paulo. A área conta com duas caçambas e, às vezes, três, mas, mesmo assim, não é suficiente para receber o lixo. O cheiro é forte e cachorros e pombos aproveitam para comer resíduos de alimentos no local.

“Pelo menos 50% das pessoas que jogam lixo aí, estão de carro. Já vi até embalagens de supermercados vizinhos jogadas. Tem muita gente também que não respeita o dia do caminhão passar. Aí fica bem difícil a situação”, comenta a auxiliar de limpeza Irenice Soares de Oliveira, 33.

“Isso é uma imundice. Não agüento mais essa situação. É uma vergonha. Moro aqui há cinco anos e tem dia que a gente não suporta o cheiro forte de lixo”, explica, nervoso, o eletricista Edson José dos Santos, 67.

Caçambas transbordam de lixo na rua Manoel Vieira da Luz
Caçambas transbordam de lixo na rua Manoel Vieira da Luz

De acordo com os moradores, o caminhão de lixo passa cinco dias por semana: às segundas, quartas, sextas, sábados e domingos. Contudo, o terreno e as caçambas não dão conta do volume de lixo. Essas últimas vivem abarrotadas e tem mais dejetos no chão do que dentro delas. Muitas vezes, o lixo se espalha para a rua.

“O caminhão (de lixo) não tem como entrar nas vias laterais, pois são muito estreitas. Então, os moradores das ruas debaixo sobem e deixam o lixo aqui mesmo. Mas tem muita gente que vem de carro jogar sujeira aí”, reclama o motorista Valdir Aparecido, 45, morador da região há dois anos.

“Em 2004, construímos uma caixa de concreto para poder colocar o lixo. A prefeitura veio e derrubou e colocou as caçambas”, diz o educador Claudio Chaves, 48, morador do bairro há 12 anos. Segundo Chaves, ele mesmo, junto com sua esposa Noemia Cardoso, 50, também educadora, já fez um baixo-assinado tendo em vista um projeto de pavimentação e um jardim na área.

Nesse tempo, da caixa de concreto, “tinha até um jardim com flores, mas de nada adiantou”, conta Chaves. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) não permitiu a obra em razão da torre de energia das Furnas, que fica em frente ao terreno. Chaves ainda diz acreditar que o terreno é o maior produtor de lixo da zona norte de SP.

“Uma vez vi um carro jogando um cachorro morto. Eu saí correndo atrás dele e o fiz pegar de volta o animal. Já vimos chegar um sofá de dois lugares para ser descartado nesse terreno. Sofremos com ratos, mosquitos e até a dengue”, alerta Noemia.

Ponto viciado de lixo atrai cachorros e pombos
Ponto viciado de lixo atrai cachorros e pombos

Pelo menos, a cada dois meses, alguns moradores colocam fogo no lixo. Há um mês, no entanto, tiveram que chamar os bombeiros, pois a montanha de dejetos era muito grande e o fogo se alastrou rápido.  A Subprefeitura Jaçanã/Tremembé não se manifestou sobre o assunto.

Segundo o site da Prefeitura de São Paulo, existem mais de 1.400 pontos irregulares de lixo na cidade. A multa para quem descarta objetos nestes locais varia entre R$ 50 a R$ 500. Fora do horário de coleta, o valor é de R$ 57.

O recolhimento de lixo na região do Jardim Filhos da Terra e Fontális é feito pelas concessionárias Inova e Loga, segundo o site da prefeitura.

As denúncias de descarte irregular podem ser feitas por meio do Alô Limpeza (11 3397-1723). Reclamações de entulho em via pública e de caçamba irregular também podem ser feitas pelo site do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb), pelo e-mail: limpurb@sac.prodam.sp.gov.br ou pelo “Disque limpeza” (0800-727-0211).

Priscila Gomes, 30, é correspondente da Vila Zilda
@prigomes1983
priscilagomes.mural@gmail.com

 

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