Mural

Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

 -

Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Perus vive ‘mini Virada Cultural’ por recuperação de fábrica abandonada

Por Blog

O Caramanchão era um famoso clube onde ocorriam bailes dentro da fábrica de cimento de Perus, na zona noroeste de São Paulo, até a década de 1980. Atualmente, a companhia está totalmente abandonada e, para mudar essa realidade, o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus promoveu, no último sábado (31), o 1° Caramanchão Cultural.  O evento contou com 20 atrações artísticas e culturais espalhadas por diversos pontos do bairro.

“Foi um acontecimento ímpar para toda a população. Primeiro, porque resgatamos a história da antiga indústria e, depois, porque a partir da arte conseguimos levar nossas reivindicações a um público muito maior”, observa a jornalista Jéssica Moreira, 22, umas das organizadoras da festa e correspondente do Mural em Perus.

O movimento tem como objetivo usar o espaço da fábrica para a construção de um centro cultural e uma universidade livre e colaborativa. “Sempre imaginei essa fábrica como um centro universitário, integrado para a população de Perus”, disse o auxiliar administrativo Luciano de Oliveira Paes, 37.

A programação teve início por volta das 10h, com exposição fotográfica e atividades no entorno da estação de Perus da CPTM, organizadas pelo movimento. Por volta das 15h, um cortejo saiu da praça Inácio Dias em direção à fábrica.

Após ter entrado no local, a diarista Luzia Gonçalves Moreira, 53, se emocionou ao relembrar dos antigos bailes. “Vinha direto com um grupo de jovens para cá a pé. Trocávamos o sapato por um chinelo e passávamos a noite inteira dançando”. Luzia passou a frequentar o baile por influência da mãe, Evarista Gonçalves, que costumava comparecer aos Caramanchões.

Quem acompanhou o cortejo conferiu diversas intervenções artísticas durante o percurso. Integrantes da Comunidade Cultural Quilombaque Perus, embalados pelo ritmo do Maracatu misturado ao som do saxofone, abriam caminho e puxavam o público, que seguiu animado pelas ruas. Ao circular pela passarela, os pedestres também conferiam a oficina de customização de camisetas.

X

No calçadão, o artista plástico Carlos Marinho da Silva concluía a obra “Queixada”. Já no portão da fábrica, o Grupo Teatral Bardos & Paulo Goya apresentou um trecho de “Fantasma de Hamlet”, simbolizando a quebra da barreira que impede a entrada da população no espaço.

Com a chegada da noite, o evento ficou restrito ao palco principal, na entrada da fábrica, onde ocorreram diversos shows e apresentações. Ao som das bandas Mono Surround, O Mandruvá e Doutor Jupter, o público seguiu presente apesar do frio. “Foi um evento de 12 horas, uma mini Virada Cultural”, define Jéssica.

A mobilização terminou com um agradecimento dos organizadores aos participantes, que saíram do Caramanchão com um sentimento coletivo de dever cumprido.

MURAL PROMOVE PRIMEIRA EXPOSIÇÃO

Para se aproximar dos leitores da periferia, o blog Mural realizou a primeira “Expo Mural” em Perus. Mais de 15 matérias sobre o bairro, produzidas pela correspondente  Jéssica Moreira, foram expostas durante o Caramanchão.

Os presentes tiveram a chance de conhecer um pouco do projeto e opinar sobre como a imprensa retrata a periferia. “A gente só vê a questão social ou quando se fala no transporte, na greve de ônibus, e nunca é uma abordagem positiva”, destacou a secretária Simone de Assis Moreira, 35.

“É importante retratar a realidade da galera. A mídia só mostra tragédia. Tem muita coisa legal na cultura de periferia, que não é tão explorada”, reforçou o autônomo Wesley Alves da Silva, 28.

A ideia, agora, é levar a exposição de reportagens do Mural para outras regiões da Grande São Paulo. Hospedado na Folha desde 2010, o blog tem cerca de 50 correspondentes, que buscam retratar a realidade dos bairros onde moram.

Cleber Arruda, 32, é correspondente da Brasilândia
@CleberArruda
cleber.mural@gmail.com

Humberto Müller, 23, é correspondente de Mairiporã
@lagomuller
lagomuller.mural@gmail.com

Patrícia Silva, 25, é correspondente do Campo Limpo
@Patricia_Aps
patriciasilva.mural@gmail.com

Thaís Santana, 23, é correspondente de Anhanguera
@thastn
thaissantana.mural@gmail.com

 

 

 

 

Blogs da Folha