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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Em Taboão da Serra, time de várzea tem craques com mais de 50

Por Blog

Às 7h da manhã, o comerciante Aristídes Rodrigues Moreira, 52, cumpre seu ritual de domingo. Após um amanhecer frio e chuvoso, é sua função verificar se existe condições para o jogo no campinho de terra do ‘Parados da Vila Iase’, time de várzea de Taboão da Serra, município da Grande São Paulo.

“Eles já começam a me ligar para perguntar se vai ter partida”, conta Tidão, como é conhecido entre os colegas. No papel de presidente da equipe, ele tem “mil atribuições”: da organização das partidas à separação dos uniformes.

Do seu apartamento, no 27° andar, o aposentado Osvaldo Cosmo, 57, ou 1/2 kg, como é sempre chamado, observou o céu pela manhã, mas não se animou com o que viu. Mesmo com o mau tempo, decidiu abrir o bar, que funciona na beira do campo.

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Com o Parados da Vila Iase, a manhã não passa, corre. O dinheiro para o tradicional churrasco vem de uma vaquinha entre os presentes ou do sorteio de uma rifa. Os jogadores contribuem como podem. Alguns, levam a sardela; outros, apenas o bom humor.

Fundado em 1982, o time tem jogadores de várias idades, mas as estrelas do grupo são os que contam com mais de 50 anos. “Tinha uns caras que ficavam ociosos, em casa, mas a convivência fez com que eles vivessem de novo”, conta o jogador Ebel Luiz, 55.

Em campo, vale reclamar de dor nas costas ou parar para descansar. Não há gozação entre eles, o que importa é a participação. “Se a pessoa jogar 10 ou 15 minutos, já é gratificante. Se estiver sentindo dor, não tem problema. É normal”, diz o trabalhador autônomo Pedro Cezar,56, conhecido como Feijão.

É daí, também, que vem o nome do time. Quem parou de jogar em razão da idade, agora se junta ao Vila Iase – que tem uma tartaruga como mascote. “As pessoas diziam: ‘Coitado, vai morrer! Olha a pressão!’ Mas eu estou conservado, na ativa”, conta o aposentado Paulo Canastra, 60. “Posso tomar uma cerveja agora?”, brinca Bicudo, como é apelidado.

O grupo já ganhou dois campeonatos na categoria “50 anos”. O primeiro, em 2012, e o mais recente, em 2014. “A gente sempre disputou, mas nunca para decidir. Agora é uma nova fase”, afirma o gerente de negócios Pedro Luiz Ribeiro, 54, o Pedrão.

O título, adquirido no campeonato organizado pela Secretaria de Esportes de Taboão da Serra, é motivo de orgulho para os jogadores. E também para dona de casa Cecília Batista, 57, que diz ser a maior torcedora do time. Minoria entre os homens, ela faz questão de ir torcer pelo marido, Benedito Nogueira, 57. “Com chuva ou sol, estou aqui participando.”

“O maior prazer que eu tenho no domingo é vir aqui para encontrar os amigos”, diz Nilson Rodrigues Moreira, 65. Nilsão, inclusive, é o fundador do Parados e, embora hoje seu irmão toque o comando da equipe, não quer deixar o projeto parar e sonha que as próximas gerações assumam o comando do grupo.

*O jogador Pedro Luiz Ribeiro participou do “Meu Mural”, que teve como tema a pergunta “Onde está a sua Arena?”. O projeto foi criado para aproximar os leitores do blog.

 

Marina Lopes, 22, é correspondente da Penha
@marina_lopesmf
marinalopes.mural@gmail.com

Patrícia Silva, 25, é correspondente do Campo Limpo
@Patricia_Aps
patriciasilva.mural@gmail.com

 

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