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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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‘Batalha’ de hip hop reúne 400 pessoas em São Bernardo

Por Blog

A praça da igreja Matriz, no centro de São Bernardo do Campo, se tornou o novo “point” para os jovens da região do ABC, na Grande São Paulo. Todas as terças-feiras à noite, cerca de 400 pessoas se reúnem no local para uma batalha de Mc’s, mais conhecida como Batalha da Matrix.

O movimento teve início no ano passado e começou com oito jovens fazendo rimas em frente aos postos de gasolina da cidade, pois não tinham local fixo para o evento.

Descontentes com a falta de opções de lazer e cultura na cidade, os rapazes começaram a se reunir na praça da Matriz. Assim surgiu a Batalha da Matrix, e o nome com um “x” no final foi um trocadilho para ajudar no marketing, como conta o designer gráfico Thiago Tamaoki, 21.

As rimas, inicialmente, eram feitas somente a capela, ou seja, sem equipamento de som. Os próprios organizadores, vendo que o evento crescia, fizeram uma “vaquinha’’ e compraram caixa de som e microfone para organizar melhor as batalhas.

Um dos primeiros Mc’s a participar foi Alexandre Alex Berne, 37, conhecido como Alex Street. Ele está há 23 anos no hip hop e relata que “a matrix é a família que ele nunca teve’’. A inspiração para as rimas vem de muita leitura e de vários ritmos musicais que ouve, até mesmo música clássica!

Na festa de um ano, os organizadores reuniram mais de mil pessoas na praça, de todas as faixas etárias. Depois de muitas reuniões com a prefeitura, eles conseguiram aval para manter o evento no local.

Como muitos munícipes começaram a reclamar de barulho e desordem na praça, a Batalha da Matrix tem que começar às 19h e terminar às 22h. Dagoberto Ferreira, 22, um dos organizadores, relata que foi acordado com a secretaria de cultura a disponibilização de banheiros químicos no local, o que nunca aconteceu.

Segundo a prefeitura, a batalha se constitui de uma iniciativa independente, capitaneada por artistas e produtores locais. Apesar disso, a Secretaria de Cultura alega que sempre se posicionou favorável ao evento, que encontra resistência entre alguns setores da cidade, principalmente os moradores do entorno, comerciantes e a paróquia.

Com relação aos banheiros químicos, o poder público alega que a demanda vem sendo estudada para que se encontre uma solução lícita, já que o evento é privado. No entanto, apenas isso não seria garantia de continuidade da iniciativa. Reuniões também vêm sendo realizadas no intuito de contornar as resistências ao evento.

Katia Flora, 34, é correspondente São Bernardo do Campo
@katiafreis
katiaflora.mural@gmail.com

Alan Felipe, 21, é correspondente de São Bernardo do Campo
@Lanfelipe
alanfelipe.mural@gmail.com

 

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