Crianças se divertem em viagens no Metrô

Por Blog

O barulho do atrito de metal, a escuridão do túnel e as orientações sonoras são muito comuns para quem já se acostumou a embarcar nos trens da CPTM e do Metrô de São Paulo. Mas para algumas crianças a experiência de andar pela primeira vez no transporte férreo da cidade é algo que ativa todos os sentidos.

“Dá licença! Dá licença! Eu quero sentar!”, com uma voz fina, Gabriel, 9, entra pela estação Carandiru do Metrô, na zona norte de São Paulo, desesperado por um lugar para se sentar. Sem encontrar o que procura, aproveita o corpo pequeno e se encaixa entre duas pessoas no banco.

Sua mãe, Ana*, pede desculpas envergonhada e se explica: “Ele estava ansioso para andar de metrô. Ontem, comentei com ele e quando foi 4h da manhã ele já estava pronto para sairmos”.

Enquanto para a maioria de seus 4,6 milhões de usuários diários – adultos – o transporte público apenas faz parte da rotina de trabalho e estudo, as crianças, muitas vezes, se divertem durante a viagem.

“Olha mãe, tem outro metrô passando ali. Olha mãe, tem uma luz. Mãe, porque paramos?”, esses foram uns dos questionamentos que Gabriel fez enquanto o metrô percorria de uma estação para a outra.

(Créditos: Acervo do Metrô de São Paulo)
(Créditos: Acervo do Metrô de São Paulo)

Morador de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, Gustavo Henrique, 4, é outro passageiro apaixonado pelo metrô. “Eu gosto muito de andar aqui”, comenta e bate os pés no chão para deixar claro sobre o que está falando. O pai do menino leva, quando pode, seu filho para andar no transporte público aos fins de semana.

Gabi – como prefere ser chamada – 11, aguarda ao lado de sua mãe o metrô na Linha Amarela, sentido estação da Luz. A menina comenta que estava no trem, mas que prefere o metrô. “No outro tem muita gente, aqui não, né, mãe?”, diz.

Os trens do metrô se tornam parque de diversões para algumas crianças, que não se importam com a superlotação, que atinge até 11 pessoas por metro quadrado em horários de pico, com as falhas e as cerca de três greves a cada três dias, segundo o Sindicato dos Metroviários.

Para Lucas Azevedo, 12, que pegou o metrô na estação Tucuruvi (Linha 1 – Azul), procurar um lugar para sentar não é o ideal. “Eu prefiro ir em pé, parece um skate”. O menino desembarcou na estação Tiradentes.

Segundo o Departamento de Imprensa do Metrô, diariamente são realizadas mais de 4.500 viagens nos 75,5 km de malha viária da cidade, embarcando e desembarcando crianças e adultos em 65 estações.

*Ana é um nome fictício.

Jéssica Souza, 23, é correspondente de Guarulhos
jsouza.mural@gmail.com