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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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‘Família Hot Dog’ se divide entre Dilma Rousseff e Marina Silva

Por Blog

Valdir Pinheiro de Oliveira, 57, não cobrou por alguns cachorros-quentes que serviu num sábado no início do mês passado. Os lanches feitos por sua filha, Joyce Pinheiro de Oliveira, 25, ganharam os noticiários do Brasil quando a presidente Dilma Rousseff (PT) experimentou o sanduíche característico da cidade de Osasco, na Grande São Paulo.

“Vou cobrar de uma visita nobre, para quê? Eles quiseram pagar, ligaram pra mim. Mas eu não quis cobrar. A presença já não me pagou? Por isso que falo: meu problema é na perna, não na cabeça”, brinca o comerciante que tem deficiência física desde os dois anos de idade e trabalha há 30 com o carrinho no município.

O dia em que Dilma comeu o cachorro-quente foi um dos primeiros atos da campanha da presidente no estado de São Paulo.

“Aquilo não foi foto pra jornal. Ela estava com fome mesmo, já fazia umas quatro horas que estava aqui”, enfatiza Pinheiro, dono do carrinho denominado ‘Família Hot Dog’, nome dado, segundo ele, por conta da ‘família ser uma das instituições mais poderosas da Terra’.

Ele afirma ter ‘certeza’ da vitória da presidente. Já sua filha, Joyce, que fez o lanche para a petista, deve repetir o voto dado em 2010 – para Marina Silva (PSB). O perfil de pai e filha mostra um pouco dos motivos de quem vota nas duas favoritas na eleição presidencial. No último pleito, Dilma teve 182 mil votos contra 104 mil da ex-senadora em Osasco.

Valdir ao lado do carrinho de cachorro quente na Antonio Agu, principal centro de compras de Osasco (Foto: Paulo Talarico)
Valdir ao lado do carrinho de cachorro quente na Antonio Agu, principal centro de compras de Osasco (Foto: Paulo Talarico)

“Não sou petista, não milito em partido”, alega Pinheiro, que é evangélico da igreja Assembleia de Deus.  “Creio que o [ex-presidente] Lula só não fez mais, porque não conseguiu. A pessoa não governa só, depende de partidos, aliados”, diz.

A capacidade que ele vê em Dilma para governar seria o principal motivo para o voto do comerciante. A desconfiança com relação à postulação da ex-senadora também é grande. “Não tenho dúvida da estatura moral da Marina, só que ela não está preparada para governar. Vejo que ela é inconstante, diz uma coisa [hoje], amanhã muda”.

Já Joyce aponta a confiança como motivo para escolher a ex-ministra do Meio Ambiente. “Acho que vou votar na Marina de novo. Porque eu vejo transparência nela. Não que eu não veja na Dilma, mas vejo que [a Marina] é uma pessoa em quem posso confiar mais”, avalia.

Ela reconhece mérito nos governos do PT e da atual mandatária, a quem serviu o lanche com ‘duas salsichas e bastante molho’. “Fomos beneficiados, por exemplo, com o Prouni (Programa Universidade Para Todos). Se não fosse o programa, não teria condição de pagar a faculdade”, argumenta a estudante do terceiro ano de Design Digital.

“Sou grata, só que muitas coisas no governo do PT, que aconteceram a respeito de corrupção, deixa a gente desconfiado”, completa.

Foto do carrinho em 2012. Valdir atua no ramo de cachorros-quentes há 18 anos (Foto: Paulo Talarico)
Foto do carrinho em 2012. Família já ficou entre finalistas em concurso dos melhores cachorros-quentes da cidade (Foto: Paulo Talarico)

Prioridades

Para Valdir, o primeiro passo da próxima presidente deve ser a questão da segurança, além da saúde e educação. “O político tinha que passar pelo SUS (Sistema Único de Saúde), aí a saúde ia melhorar com certeza”, aponta, antes de mandar um recado para a petista. “Dilma, você me conhece, quero isso da senhora, saúde e segurança”, frisa.

Eleitora desde os 16 anos, Joyce elege a economia e a educação como metas principais. “Acho importante focar na educação, a gente não tem consciência política. Vota porque todo mundo vai votar em um e não quer jogar o voto fora”, ressalta. “Só espero que a gente escolha o melhor para o nosso país”, finaliza.

Paulo Talarico, 24, é correspondente de Osasco
@PauloTalarico
paulotalarico.mural@gmail.com

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