Artista cria telas e acessórios com lixo eletrônico em Mairiporã

Por Blog

A artista plástica Naná Hayne transforma peças de computadores, relógios e outros materiais, quase sempre descartados, em telas, roupas e acessórios de bijuteria. Reconhecida pelo trabalho, sua arte já foi exposta na Itália, e está presente em vários cantos do Brasil.

Mas foi na cidade de Mairiporã, localizada ao norte da Grande São Paulo que, depois de idas e vindas, a artista se estabeleceu há  8 anos.

Em sua casa, um cantinho cercado de verde no centro da cidade, Naná diz trabalhar sossegada na criação de suas obras com a reutilização do lixo eletrônico.

“Gosto muito daqui, de estar próxima da natureza. Mairiporã tem algum imã, alguma coisa que atrai os artistas e os loucos, não sei bem o que é”, brinca.

Formada em comunicação visual, a ideia de trabalhar com lixo eletrônico surgiu por acaso, logo após um acesso de raiva, quando perdeu o emprego na área de publicidade.

“Estava fazendo currículos e a impressora não funcionava. Depois de um tempo me irritei e puxei o cabo com força. Quando ele rompeu, percebi que dentro haviam fios com as cores do arco-íris, fiquei deslumbrada. Foi então que pensei, como uma coisa tão bonita vai pro lixo?” conta.

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Animada com as possibilidades de criação, ela passou a dedicar seu tempo ao trabalho com o lixo eletrônico. Naná conta que foi preciso entender sobre a toxicidade dos componentes e correr atrás de equipamentos para poder trabalhar.

“Não é um processo simples, mas o material está por toda parte. Qualquer coisa pode virar arte, mas nunca imaginei que pudesse haver tanta beleza dentro de um computador”, ressalta.

Em março de 2014, Naná Hayne pode expor seu trabalho pela primeira vez em Mairiporã por meio do IntegrARTE, um evento mensal organizado pela secretaria municipal de Cultura, que reúne artistas da região. Desde então ela já expôs mais duas vezes.

Ela diz acreditar no futuro artístico do município. “Sempre quis fazer alguma coisa por aqui e sempre faltou incentivo, passei muito tempo trabalhando para fora, mas nunca fui reconhecida no local que escolhi para viver”, conta ela, que mantém um blog para divulgar suas peças.

“Mairiporã precisa desse tipo de apoio, especialmente para os jovens, ainda mais em uma cidade que sempre foi tão carente de cultura e de oportunidades” conclui.

Humberto do Lago Müller, 23, é correspondente de Mairiporã
lagomuller.mural@gmail.com
@lagomuller

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