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Times de várzea de São Bernardo lutam para manter o futebol amador

Por Blog

O futebol é um dos esportes mais populares do país. Na periferia de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, não tinha como ser diferente. Nas manhãs de domingo, a paixão pelas chuteiras leva diversos times de várzea aos campos de terra da região.

A atividade conta com um público fiel. Os mais fanáticos chegam até a fazer vaquinha para colaborar com eventos do time ou organizar um almoço depois do jogo. Mesmo enfrentando dificuldades para se manter, a paixão pelo futebol é o que costuma unir equipes e torcedores.

O Esporte Clube DER é um dos 22 times que compõem a Liga de Futebol de São Bernardo do Campo. Fundado pelos funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem, o clube já completa 61 anos. Em julho foi campeão da Liga de 2014 e como prêmio recebeu o valor de R$1.500, que foi repassado para todos os jogadores e membros da comissão.

Segundo Flutuoso Ferreira Lima Neto, 59, presidente do Esporte Clube DER, essa premiação é simbólica, já que em geral as equipes costumam ter um gasto muito maior durante o torneio, incluindo a compra de materiais e uniformes.

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Para se manter no campeonato, os jogadores recebem em média de R$100 a 150 reais por partida, o que faz com que muitos tenham outros trabalhos e apenas participem de torneios aos fins de semana. Muitos já atuaram profissionalmente, mas para jogarem nos times de várzea tiveram que pedir a desfiliação da Federação Paulista de Futebol.

De acordo com Ferreira, para se manter o time precisa fazer rifa, organizar eventos e alugar a sede do time para pagar os atletas no final da partida. Ele reclama que falta incentivo da Secretaria de Esportes de São Bernardo para investir em mais contratações e na compra de uniformes. “O amor pelo futebol é o que move os times’’, diz.

Escola Clube 11 Unidos, do bairro Jardim Calux, é outro time que enfrenta dificuldades parecidas. Fundado em maio de 1962, por Luiz Carlos Quirino e alguns colaboradores, o grupo contrata jovens da comunidade para dar oportunidade de mostrarem seu talento e treinarem para participar de uma peneira nos times profissionais. Como o valor de incentivo é pequeno, muitos acabam desistindo.

O atual presidente do clube Ednelson Batista da Silva, 42 anos, conhecido como Fumaça, relata que para manter a equipe no campeonato é preciso fazer até rifa de chuteira e acessórios esportivos.

A cozinheira Cátia dos Santos, 43, torcedora do 11 Unidos há vinte anos, conta que costuma tirar dinheiro do próprio bolso para ajudar nas finanças do clube. Ela diz que gosta de ir ao campo para encontrar amigos e torcer pelo time do coração.

Segundo Saul Lino de Souza, 60, presidente da Liga Especial de Futebol de São Bernardo, a Secretaria de Esportes repassa um valor de R$250 mil para pagar a arbitragem do campeonato e realizar a manutenção dos campos de várzea.

Souza diz que o órgão ainda contrata uma empresa de arbitragem e passa a tabela de jogos para ter um juiz e bandeirinha em cada partida.  “O papel da liga é fazer o campeonato e os outros deveres são dos times’’, afirma.

 

*O leitor Jefferson William dos Reis participou da primeira edição do “Meu Mural”, que teve como tema a pergunta “Onde está a sua Arena?”. Ele enviou uma foto do time 11 Unidos, que deu origem a essa matéria. 

Kátia Flora, 34, é correspondente de São Bernardo do Campo
@katiafreis
katiaflora.mural@gmail.com

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