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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Em Carapicuíba, bandas fazem festival para fortalecer cena independente

Por Blog

No último domingo (18), bandas de rock realizaram em Carapicuíba, na Grande São Paulo, a primeira edição do Recrutas Fest. Sem ajuda de governo, o festival contou com oito shows de grupos independentes da região durante sete horas de evento.

A ideia de se fazer shows a céu aberto surgiu para comemorar aniversário de 13 anos do grupo de Carapicuíba, Recrutas 0, e contou com a apresentação das bandas O Mal Nunca Morre, Friendship 66, Mundo Real, Subeclipse, LxAxTxA (Lambari Atômico Thrash Attack), Spread e Abstruse.

“Essa é a forma que encontramos para comemorar,  realizando a integração dos que estão na ativa, dos que retornaram e dos grupos que estão começando a tocar”,  revela o guitarrista Ducca, que tem a intenção de promover mais festivais como este na cidade. “Estamos aqui justamente para fortalecer a cena e isso também atrai a molecada que não conhece”, completa.

Segundo os organizadores, eventos como este já haviam sido realizados no município, porém contavam com mais estrutura por terem o apoio da prefeitura. “Nos deram a desculpa que o novo secretário de Cultura não tinha aprovado a continuidade do Rock Pela Paz. Era algo mais estruturado, mas acabamos perdendo. Mobilizava toda galera, então tentamos fazer algo parecido hoje”, afirma o vocalista Binho.

Com ajuda de amigos, eles fincaram uma pequena tenda no palco do teatro Arena em Carapicuíba, anualmente utilizado para a apresentação religiosa de “A Paixão de Cristo”. Eles também instalaram a aparelhagem de som sem a ajuda da prefeitura. “É revoltante”, avalia o vocalista da banda de  grunge e hard core Abstruse,  Marcus Vinícios, 25.

Na cena independente do Rio Grande do Sul, em que a prefeitura de São Leopoldo incentiva e tem chamado os jovens para se apresentar no município, a situação é diferente, segundo conta músico da Old Trash, Maikel Salles, 24, que saiu do Sul para conhecer a cena underground da Grande São Paulo.

“Aqui não tem briga, isso é importante porque une as pessoas e tem sido muito organizado. Viajei para cá justamente para conhecer a rock daqui”, revela o gaúcho.

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“Festivais como este ajudam a integrar as bandas, a mostrar o trabalho e a cultura, afirma Lee, que canta no Mundo Real, grupo que explora a junção de rap e rock.

Composta pela maior parte por jovens na faixa dos 20 anos, quase 200 pessoas acompanharam a programação musical.

“Tenho um projeto que divulga bandas grunge, então eu vim aqui para assisti-las e fazer a divulgação”, diz a estudante Cintia da Hora, 23, que por morar em Taipas, na zona norte, teve que sair as 10h da manhã de casa para chegar em Carapicuíba.

“Aqui estão bandas de rock para quem sabe o que é rock de verdade e só é possível oferecer um trabalho que tenha relevância social e cultural em lugares como a periferia. Os moradores entendem a linguagem, respeitam”, diz Cassiano Pereira, vocalista da Spread e que também esta à frente da cena independente em Osasco.

Cassiano critica a aproximação de setores político em eventos culturais na região. “Queremos trabalhar fora desse eixo político. Na segunda edição do Osasco Fest, os organizadores avisavam: ‘O primeiro que falar mal do PT (Partido dos Trabalhadores) a gente desliga tudo e vocês descem do palco’. E aconteceu isso, retiraram uma banda”, lamenta.

Durante o festival, houve sorteio de camisetas e brindes das bandas.  E mesmo no anoitecer, com lâmpadas improvisadas no palco, o Recrutas Fest terminou por voltadas 22h30 com o show do Recrutas 0 e sorteio de uma tatuagem.

Anderson Ferreira, 26, é correspondente de Carapicuíba
@anderson2908
andersonferreira.mural@gmail.com

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