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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Moradores de Carapicuíba ficam 28 horas sem água no fim de semana 

Por Blog

Neste fim de semana, moradores da Vila Silviânia, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, ficaram 28 horas seguidas sem água. A interrupção começou por volta das 10h da manhã do sábado (24) e terminou só na tarde de domingo (25). A temperatura na cidade beirava os 30 °C.

Questionada sobre a falta d’água, a Sabesp não retornou o contato da reportagem na manhã desta segunda (26). Carapicuíba é abastecida pelo sistema Cantareira, que registrou 5,1% de sua capacidade no domingo. O município tem uma estação de tratamento de água e quatro reservatórios.

“É um terror porque quase diariamente não temos água. Estamos comendo pão com mortadela, pipoca e tomando chá para não fazer comida e sujar a louça”, reclama a dona de casa Ângela Maria, 58.

Por causa da atual crise hídrica, o preço da garrafa de água nos supermercados subiu. Em um deles, a garrafa de 1,5 litro chega a custar R$ 2,29 e o galão de 20 litros, R$ 9.

Os moradores também reclamam do preço das hortaliças. A falta de chuva encarece alguns desses produtos no bairro. O maço de rúcula que chega a custar R$ 3,50.

“Tudo está tão caro por causa da ausência de água. A batatas estão estragadas, está tudo acima do preço na feira do supermercado”, afirma a auxiliar de produção, Sheila Silva Barreto, 24.

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Garrafas de refrigerante têm sido reaproveitadas para guardar água e utilizá-la apenas para necessidades urgentes, como fazer comidas rápidas ou tomar banho de canequinha.

“Eu trabalho o dia inteiro e quando chego em casa já não tem mais água para lavar a louça e a roupa. As vezes trago alguns baldes lá da empresa e tento guardar água aqui”, conta Sheila.

Moradores também reclamam da ausência do poder público. “Estou sobrevivendo tomando banho de canequinha. Votei no Geraldo Alckmin (PSDB), cadê ele agora para resolver esse problema?”, questiona a líder comunitária de Santa Terezinha, DjaniraPedroso, 55, conhecida como ‘Dejinha’.

Para Maria de Lourdes, alguns moradores não se importam com a necessidade de economia. “Infelizmente há pessoas abusam quando a água chega. Na área livre [favelas] tem gente que desperdiça porque eles não pagam, é revoltante”, revela.

“Um dia eu estava andando na rua e vi a vizinha lavando o quintal e pedi pra ela parar. Ela disse: ‘Você não tem nada a ver com isso. Eu é que pago’ Fiquei com muita vergonha”, lembra Ângela, que sugere a criação de reservatórios de água onde geralmente chove e tem enchentes.

 

Anderson Ferreira, 26, é correspondente de Carapicuíba
@anderson2908

 

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