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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Universitários bolsistas enfrentam dificuldades para conseguir passe livre

Por Blog

Durante a semana, o estudante Josinaldo dos Santos, 21, sai do distrito da Penha, zona leste de São Paulo, e percorre um trajeto de quase uma hora, que inclui o uso de ônibus e metrô para chegar até o campus Consolação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), no centro da cidade.

Bolsista do Prouni (Programa Universidade para Todos), ele está no último semestre do curso de Arte: História, Crítica e Curadoria. Com o aumento das passagens no início do ano, o universitário afirma que ficou aliviado após o anúncio do passe livre. Porém, até agora não teve acesso ao benefício.

A gratuidade nos ônibus municipais começou a valer em São Paulo desde o começo de fevereiro. A medida é válida para alunos do ensino fundamental e médio da rede pública, estudantes de universidades públicas (com renda familiar inferior a um salário mínimo e meio) e de universidades privadas que sejam beneficiários de programas como o Prouni ou o Fies.

Para garantir o acesso ao passe livre, é necessário que a instituição envie para a SPTrans a relação de alunos que têm direito à gratuidade. Josinaldo afirma que a faculdade já passou essa informação para a empresa, mas quando consulta o seu cadastro no site, consta que ele não tem direito ao benefício. “Isso está acontecendo com várias pessoas. Alguns conseguem; outros, não”.

Na última segunda-feira (2/3), o estudante passou cerca de 1h30 em uma fila do posto da SPTrans na rua 15 de Novembro para conseguir informações. No entanto, precisou deixar o local antes de ser atendido para não perder o horário de entrada no estágio.

O passe livre de ônibus está valendo em São Paulo desde o dia 2 de fevereiro
O passe livre de ônibus está valendo em São Paulo desde o dia 2 de fevereiro

A situação se repete com outros estudantes. Ana Paula Firmino Santos, 18, ingressou esse semestre no ensino superior com uma bolsa do Prouni. Moradora do bairro Tatuapé, zona leste de São Paulo, ela utiliza duas conduções para se deslocar até a Vila Mariana, na zona sul, onde cursa jornalismo na Fapcom (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação).

Como ainda não conseguiu o passe livre, a universitária afirma que está gastando em média R$65 por semana com o bilhete normal, já que seu curso é de segunda a sábado. Segundo ela, ao consultar o sistema da SPTrans, ainda aparece a mensagem: “Sua matrícula está em processamento. Por favor, aguarde.”

Na mesma turma de Ana Paula, alguns colegas já conseguiram o benefício, como é o caso de Fernanda Pereira, 18, que sai do Capão Redondo, zona sul. Antes da gratuidade, ela diz que pagou o valor integral das passagens por quase um mês. “Eles disponibilizam o benefício, mas não divulgam a informação”, pontuou.

De acordo com Josinaldo, o passe livre é uma ajuda importante para os alunos bolsistas que moram longe da universidade. “Muitas vezes a gente não vai para a faculdade porque não tem o dinheiro da condução”, contou, lembrando das dificuldades que teve durante os primeiros semestres do curso.

Em nota a SPTrans afirmou que a demanda de usuários em busca de informações e regularização no cadastro aumentou após o anúncio do passe livre na modalidade trilhos, que começará a valer na próxima segunda (9/3). Segundo a empresa, desde 12 de fevereiro o atendimento também foi reforçado nos principais postos, inclusive no da rua 15 de Novembro, aberto a partir das 7h.

A empresa não se manifestou em relação ao prazo para normalização e regularização do cadastro dos estudantes que ainda não conseguiram a liberação do passe livre.

Marina Lopes, 22, é correspondente da Penha
@marina_lopesmf
marinalopes.mural@gmail.com

 

 

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