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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Peça sobre paixão de Cristo lota ginásio em Barueri, na Grande SP

Por Blog

O assistente administrativo Welber Brandão, 28, fez um pedido inusitado para os colegas de sua igreja este ano: “me desçam o sarrafo, sem dó”.  Pela primeira vez após três anos no elenco da peça teatral que conta a história da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, em Barueri, na Grande São Paulo, ele deixou de interpretar vilões da história e se tornou o protagonista.

“Queria que chegasse a um resultado mais próximo da flagelação de Jesus. Só a maquiagem [dos ferimentos no corpo] demorou uma hora e meia para ser feita”, conta Brandão. A inspiração veio do filme “A Paixão de Cristo” (2004), de Mel Gibson, considerada uma das versões mais sanguinárias e polêmicas sobre a história da morte de Jesus. “Tive uns arranhões, leves”, comemorou o ator.

Na última sexta-feira (3), o público que lotou o ginásio de esportes Manoel Tristão, no Jardim Mutinga, se emocionou diante das chibatadas com material cenográfico, cusparadas e empurrões desferidos contra o Cristo de Welber.

“Não gosto muito de assistir, é muito sofrimento. Mas já é a terceira vez que venho e acho importante para que o povo não esqueça essa história”, diz a aposentada Elenita Maria de Jesus, 68.

A peça é uma tradição encenada há muitos anos por fiéis da Paróquia São José Operário, no bairro Munhoz Junior, em Osasco, e que compreende outras seis comunidades do entorno, incluindo igrejas da cidade vizinha.

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Contudo, após uma parada de três anos, o espetáculo foi retomado há sete, segundo o assistente administrativo Luciano Felix, 28, que dirige o projeto a frente do Setor Juventude da paróquia e, este ano, atuou como um dos soldados.

“Pra nossa sociedade, essa peça é importante por difundir a cultura cristã, contando a história, e também pela renovação, pois o pouco que nós encenamos eu acredito que toca algumas pessoas e traz algo de voltar a pensar e refletir sobre seus atos na vida”, diz Felix.

Ao todo, a montagem conta com 45 atores e seis músicos, com idades entre 6 e 50 anos, moradores da região. O teatro é dividido em duas partes. A primeira, que mostra desde passagens da vida de Jesus até a sua morte na cruz, é encenada na noite da sexta-feira conhecida pelos católicos como sexta-feira Santa ou sexta-feira da Paixão, após uma procissão de quase 3 km por ruas do bairro.

“Sempre que posso, venho assistir. Essa peça mostra uma mensagem de amor ao próximo, algo tão carente nos dias de hoje”, avalia a bancária Adriana de Souza Santos, 34.

A segunda encenação ocorreu depois de uma missa no domingo de Páscoa (5), pela manhã, no mesmo ginásio, novamente lotado. Foi a vez de mostrar aos fiéis a ressurreição de Cristo. Em apenas cerca de 10 minutos de duração, o elenco vestido a caráter sobe ao altar; um grupo de cinco garotas dança duas músicas, a frente de Jesus rodeado de crianças vestidas de anjo e o ato se consuma. De roupa branca e cara limpa, Brandão virou atração e foi assediado por filas de fiéis ansiosos para tirar uma foto com o seu Cristo.

Cleber Arruda, 33, é correspondente da Brasilândia
@CleberArruda
cleber.mural@gmail.com

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