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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Sete anos após anúncio, obra da Unifesp em Osasco ainda não começou

Por Blog

A aposentada Zélia de Sousa, 65, se recorda de 28 de abril de 2008 com descrença. “Era meio dia. Todo mundo mentiu”, desabafa sobre um evento perto de sua casa com a presença do presidente, governador, prefeito e ministros da época.

Foi em uma área de 24 mil m² no bairro de Quitaúna em que ocorreu a formalização do campus Osasco da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na Grande São Paulo. Sete anos depois, a obra não começou.

Uma unidade provisória foi inaugurada em 2011, no prédio da Faculdade Instituto Tecnológico de Osasco (Fito), da prefeitura.

Apesar da descrença, Zélia, ainda tem expectativa. “Se fizerem, quero ver meus netos estudando aqui”, diz. A estimativa é que 1.800 alunos estudem no campus definitivo, com início de obras previsto para agosto [veja abaixo]. Atualmente, 1.193 estão na unidade temporária.

Antes da destinação para Unifesp, a área era do Exército e chegou a receber rodeios.  “A única coisa que mudou, é que tiraram o muro forte que tinha para colocar uma grade fraca”, reclama o aposentado Sergio Antônio Pedroso, 64, morador do bairro há mais 50 anos.

“Aqui você não entrava, era tudo guardado pelo quartel [4º Regimento de Infantaria]. Depois que foi liberado passou a ter crimes”, diz sobre o período em que o espaço ficou descuidado e sem cercamento.

O gradil foi entregue no fim de 2014, após reclamações de abandono do terreno comprado em 2008 pelo Ministério da Educação por R$ 25 milhões, pagos à Fundação do Exército.

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Pedroso, contudo, avalia que do ano passado para cá há melhoras. “A iluminação é boa, melhorou a visibilidade, essa avenida também ajudou e não precisa mais dar a volta toda”, completa.

Enquanto as obras do prédio não têm início, a população tem utilizado o local como uma área de lazer. Foi inaugurada uma ciclovia de 1,5 km ao redor do terreno e há uma academia ao ar livre. Crianças brincam de soltar pipa nos fins de semana e há até eventos de aeromodelismo.

“Vão ter que pensar nisso, porque hoje o pessoal está aí com a pipa, onde vão ficar depois?”, comenta o comerciante José Wilson, 54, sobre a falta de áreas de lazer.

Ele abriu um restaurante no bairro há seis meses e, apesar da incerteza quanto a construção, ele avalia que deve haver aquecimento da economia e espera melhorias como segurança e transporte.

“O transporte aqui é péssimo, tem uma linha de ônibus só [Cidade das Flores/Vila Yara], e no fim de semana demora uma hora, uma hora e meia”, reforça.

INÍCIO EM AGOSTO

Questionada sobre os motivos da obra ainda não ter sido iniciada, a assessoria de imprensa da Unifesp respondeu apenas sobre o período da atual gestão da reitoria. “A partir de março de 2013, estamos trabalhando intensamente, com um cronograma que vem sendo cumprido”, diz, sem mencionar o que ocorreu entre 2008 e 2013.

Segundo a entidade, “havendo liberação de recursos pelo Ministério da Educação (MEC), as obras terão início em agosto deste ano”. A previsão atual é que as obras, com custo estimado em R$ 70 milhões, durem 18 meses, ou seja, até fevereiro de 2017. Por enquanto, o que está em execução é a elaboração do projeto que deve ser entregue neste mês.

O MEC afirmou que o projeto faz parte da consolidação do programa Reuni, mas não comentou o fato de sete anos terem se passado sem o início da construção. O ministério enfatizou o início das atividades em 2011 com nove cursos de graduação.

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Paulo Talarico, 25, é correspondente de Osasco
@PauloTalarico
paulotalarico.mural@gmail.com

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