‘As portas fecharam’, diz movimento de área desocupada em Osasco

Por Blog

“Se pode vender a terra, nós podemos comprar. Se desmembrar cada lote, está a menos de R$ 5 mil. Para quem está parando de pagar o aluguel é possível pagar. Cada família se comprometeu nisso, mas as portas se fecharam”.

A afirmação de Carla Cristina Barbosa, presidente da Associação Pró-Moradia Nelson Mandela, foi feita na última semana na Câmara Municipal de Osasco, quando vereadores disponibilizaram a tribuna.

Nesta-terça-feira (9), a comunidade, formada no último ano da zona norte do município da Grande São Paulo, foi desocupada em cumprimento a determinação de reintegração de posse da justiça. A área de 200 mil metros quadrados fica no limite entre Osasco e Barueri, próximo ao Rodoanel.

A situação das 3 mil famílias se alongou por um ano com manifestações e tentativas de negociação com a prefeitura, mas sem chegar a um consenso. Eles reclamam de falta de diálogo para chegar a uma solução junto à administração e o proprietário do terreno.

“Dizem que é área de risco, mas todo esse tempo não aconteceu nada, nunca teve um deslizamento, tem pessoas que moram há 30 anos em volta e nunca teve um problema”, alega. “A prefeitura não se apresentou dentro da comunidade. A única que se apresentou dentro da comunidade foi a polícia, fechando as entradas”.

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Os moradores contabilizam que 15 mil pessoas estavam no local, porém, temem o fato de os dados copilados pela associação não tenham valor legal. “Não somos bandidos, somos moradores, alguém precisa fazer alguma coisa por nós”, desabafa.

“A gente é cidadão brasileiro, é povo da terra, crescemos, nascemos e viemos lutando. Olha o tamanho da cidade para tirar 15 mil pessoas. Cadê a estrutura que Osasco fala que tem?”, questiona o representante do movimento José Luiz de Souza Silva. Ele também aponta que o local poderia receber um lixão no futuro.

Em fevereiro, o movimento esteve na Câmara em sessão que tinha a presença do prefeito Jorge Lapas (PT), que enfatizou que não teria como atender aos protestos. “Não pode furar a fila [de cadastros por moradia], não tem como atendê-los na frente. Quero ser muito sincero, nós não temos como atendê-los na frente de quem já mora há 20 anos na cidade”, alegou o gestor na época.

Em nota, a prefeitura afirma que a área é particular e não é adequada ao uso habitacional por restrições ambientais e riscos a saúde pela proximidade com o aterro sanitário e de deslizamento de solo.  A gestão diz ter disponibilizado 40 caminhões para fazer o transporte dos pertences, 9 máquinas, 4 ambulâncias, além de 140 agentes de trânsito.    

Cita também que hoje o município tem 43 mil cadastrados para moradias de baixa renda e prevê até 2017 cinco mil novas moradias.

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Paulo Talarico, 25, é correspondente de Osasco
@PauloTalarico
paulotalarico.mural@gmail.com

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