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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Oficina Cultural completa dez anos, mas é pouco conhecida em Taipas

Por Blog

“Nem sabia que tinha isso aqui…”, disparou uma passageira da linha de ônibus 8549-10 Taipas – Pça do Correio ao ser perguntada sobre uma oficina cultural em Taipas, na região noroeste de São Paulo, que completa 10 anos de atividades em 2015. O cobrador e o motorista também disseram desconhecer o local.

No mês de abril o  Mural acompanhou o evento comemorativo da Oficina Cultural Maestro Juan Serrano, organizado por colaboradores e oficineiros. Em meio à peças infantis, exposições e um bolo de aniversário distribuído ao público, era notável a presença de moradores dos conjuntos habitacionais (Cohab e CDHU) de Taipas.

O equipamento, mantido pelo Governo de São Paulo, fica num ponto considerado “estratégico” da Cohab Taipas: é vizinha do ponto final da linha 957T-10 (Itaim Bibi-Cohab Taipas).

Porém, quem mora na região sabe que “Taipas” vai muito além das Cohab e compreende também os bairros Jd. Donária, Jd. Rodrigo, Jd. Rincão, podendo se estender até o City Jaraguá. E nenhum dos moradores desses bairros estava no local, seja por desconhecimento ou falta de interesse.

Pelo Facebook, 15 moradores de Taipas foram perguntados se conheciam a oficina. A maioria (75%) nunca ouviu falar. Dos três moradores que conheciam, dois nunca frequentaram. Apenas a articuladora cultural Ana Sueli Ferreira, 50, do bairro do Damasceno, já tinha visitado.

“Acho que [o problema] é a divulgação, nunca vi material deles em nenhum lugar”, opina Ferreira. Ela ainda relata a dificuldade da Juan Serrano em realizar cursos em outros locais, mesmo sendo no bairro. “No ano passado eles começaram uma oficina de dança no Pq. Pinheirinho D’água com 30 jovens. E tiveram que abandonar o projeto, pois quem financiava só aceitava que fosse dentro do espaço da oficina. Foi uma pena, os jovens gostavam muito”, relata.

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Já o funcionário público Edvaldo Rodrigues, 54,  que mora no CDHU Taipas há 15 anos, acredita que o local é bem aproveitado no bairro. “Aqui é ponto de encontro. Eu venho pra encontrar alguns amigos, vejo o quadro de avisos e sempre inscrevo minha filha nos cursos”, relata. “Aqui é conhecido, sim. Quem não vem pra cá é porque não quer ou não gosta de cultura. O convite está feito pra todo mundo”.

Questionado sobre a pouca adesão de moradores mais distantes, Rafael Cardoso, responsável técnico pela oficina, afirma que para a demanda da unidade ela “é boa”. Porém, se tivesse que atender moradores dos demais bairros, os investimentos teriam de aumentar, admite.

A POIESIS, instituição do Governo do Estado que coordena as oficinas, informa que a Juan Serrano ofereceu neste semestre 10 atividades, somando 106 vagas e atendendo 141 alunos. Valdir Rivaben, coordenador da programação no POIESIS, também acha que o problema é a desconexão com as demais entidades do bairro. “Você vê o entorno e sabe que existem poucas ofertas culturais. Esses locais (igrejas, escolas) ajudariam a divulgar as atividades da oficina, mas infelizmente não conseguimos [a parceria] por falta de verba”, explica.


Jéssica Costa
 , 24, é correspondente de Taipas
@eujessicacosta
jessicacosta.mural@gmail.com

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