Encontro artístico ocupa as ruas da Cohab de Taipas

Por Blog

No último domingo (31), artistas de diversos segmentos tomaram as quadras e vielas do bairro da Cohab de Taipas, na periferia da zona noroeste de São Paulo. Com o objetivo de promover a ocupação da região com arte, aconteceu o 4º Encontro Artístico Poética da Periferia.

Formado por artistas e arte-educadores de diversas periferias da cidade, o encontro dialogou com os moradores por meio da intervenção artística urbana.

O grupo percorreu as ruas da Cohab em cortejo com direito a palhaço, perna de pau e muito batuque. Teve ainda teatro sobre a cultura nordestina, barraquinhas de comidas típicas, roda de capoeira, percussão corporal, Hip Hop, entre outras atrações.

Durante o encontro, o grupo Embatucadores da Brasilândia tomou a cena. Baldes, canos e colheres também serviam de instrumentos adaptados. As crianças mal piscavam o olho impressionadas com os sons que saíam das mãos dos integrantes do grupo.

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Embatucadores encantam a plateia com show de percussão corporal – crédito: Bianca Pedrina

Espectadora atenta, a dona de casa Erika Santana, 31, moradora do Morro do Macaco, levou os dois filhos para assistir. Ao final do show, entre assovios e palmas, elogiou a apresentação e todo o evento. “A gente precisa de coisas assim, final de semana não tem nada para fazer aqui. É importante trazer as crianças para participar, brincar”, avaliou.

A dona de casa ponderou que gostaria que a comunidade participasse mais e apoiasse a ampliação de ações culturais no bairro.

A produtora e integrante do Grupo Teatral Eita Ação Cultural, Michelle Lomba, 29, que em conjunto com o Instituto Viva Taipas, promoveu a atividade, também reconhece a dificuldade em integrar os moradores, mas avalia que essa realidade vem mudando aos poucos.

“Hoje temos cerca de 200 pessoas envolvidas com o projeto, que são do bairro”, conta. “Uma pessoa chegou a pedir: ‘hoje eu posso fazer uma apresentação com vocês?’, pois já tinha assistido uma peça nossa e quis participar. A cada evento cresce o público, a rede cultural e de artistas locais envolvidos”, completou.

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Cortejo cultural percorreu as várias quadras da Cohab levando muita música e convidando moradores a participar – crédito: Bianca Pedrina

O membro do Instituto Viva Taipas, Claudio Boaventura, 45, disse que a parceria surgiu há uns três anos. “A Cohab é um bairro dormitório, aí chegava no fim de semana não tinha nada para fazer aqui, os poucos espaços de lazer eram mal aproveitados”, contou.

Por isso, recorda Boaventura, nesses três anos foi realizado um trabalho para que houvesse uma parceria entre a comunidade, grupos culturais e o poder público.

Apesar do avanço, Michelle destaca que as atividades culturais muitas vezes não chegam na região. “Quantas pessoas já assistiram nosso espetáculo, por exemplo, e nunca tinham ido ao teatro”, questionou.

Quem reside em Taipas, convive com poucos espaços de lazer e de cultura. No bairro não há Fábrica de Cultura, teatro, cinema ou Sesc. Existe apenas centro poliesportivo, as praças são poucas e pequenas, e as ruas de lazer estão ociosas.

Por isso, para ela, ações como as que estavam sendo feitas ali precisam continuar e ser ampliadas. “É importante a ocupação das ruas, dos espaços públicos, principalmente na periferia, e resignificá-los com arte e desenvolvimento humano”, finalizou.

Cultura nordestina foi tema de peça teatral que também fez parte do evento - crédito: Bianca Pedrina
Cultura nordestina foi tema de peça teatral que também fez parte do evento – crédito: Bianca Pedrina

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Bianca Pedrina, 31, é correspondente de Taipas
@pedrita
biancapedrina.mural@gmail.com