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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Nas ruas e nos muros, vacas formam paisagem de bairro da zona norte

Por Blog

Quem caminha pela Jova Rural, na zona norte de São Paulo, pode encontrar uma vaca vivendo em um terreno da rua Ari da Rocha Miranda ou pode se deparar com sua imagem pintada em muros da região. Assim como indica o nome o bairro, a paisagem lembra um ambiente rural, e acaba influenciando a arte de rua da localidade.

As pinturas de vacas, por vezes curiosas, podem ser vistas em muros de diferentes pontos do logradouro. Alguns dos animais são retratados tocando instrumentos musicais, conforme mostram as obras do grafiteiro Jurandir Ramos, 33, que trabalha com a temática há mais de dez anos e assina como Caska.

“Eu faço elas sorrindo, se divertindo”, explicou o artista antes de contar que o objetivo não é apenas entreter. “A vaca é o animal mais explorado pelo ser humano, representa uma exploração tanto da pessoa para o animal, quanto de pessoas para pessoa, como se fossem animais”.

Mas para além da crítica social, moradores mais velhos da região reparam, na verdade, na semelhança com o ambiente rural. “Essas vaquinhas dos muros têm a ver com o bairro, que ainda tem algumas características de sítio, com animais e árvores”, disse a aposentada Maria da Conceição, 78.

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As crianças e adolescentes também fazem as mesmas associações. “Já vi vaca e cavalo aqui perto e acho que os desenhos têm a ver com o nome do bairro”, suspeitou a estudante Jaceline da Silva Santos, 10. “São animais que a gente vê por aqui às vezes”, lembrou o estudante Ismael Andrade de Araújo (13).

Já outros moradores não haviam notado as pinturas antes de serem questionados. “Eu nunca tinha reparado nesses desenhos”, afirmou a vigilante Cilene Araújo (40).

GRAFITE
Jurandir recebe convites dos próprios moradores para pintar os muros e,  muitas vezes, arca com os custos. “Se tiver tinta para me ajudar é bem-vinda, mas se não tiver, o que importa é fazer”, comentou.

Seus grafites podem ser vistos em várias partes da Grande São Paulo, nas zonas norte, sul, leste e em Guarulhos. “Faço onde estou passando. O legal de pintar nos bairros é que não tem muito grafite. A galera me cumprimenta, diz que aqui precisa, pois tem pouca cor”, disse.

Sobre a escolha da Jova Rural, Jurandir explicou que na região não há muita arte nos muros em comparação com outros bairros da cidade. “Você vê muito grafite no centro de São Paulo, em Santana, mas chega ao Jaçanã e acaba o grafite. Ele  nasceu na periferia para expressar o que a galera menos favorecida tinha, junto o música hip-hop”, concluiu.

Aline Kátia Melo, 32, é correspondente da Jova Rural
@alinekatia
alinekatia.mural@gmail.com

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