Em Sapopemba, MC Linn faz funk LGBT para quebrar preconceitos

Por Blog

Em busca de mais representação na música e pela quebra de barreiras impostas pelo machismo, MC Linn da Quebrada, nome artístico de Lino Pereira dos Santos Júnior, de 25 anos, começou a fazer funks com temática LGBT na Fazenda da Juta, na região do Sapopemba, zona leste da capital.

Linn é natural de São José do Rio Preto, mas chegou à Juta no ano passado depois de vir para São Paulo estudar artes cênicas no Campo Belo. Linn é transexual, foi designada homem ao nascer, mas se identifica com o gênero feminino, por isso adotou o nome artístico.

A iniciativa deste tipo de funk tem gerado um movimento de mudança na região, que passou a ter eventos do tipo. “É a quebra do machismo que sempre nos foi imposto no passar dos anos”.

Para ela, os movimentos da periferia têm gerado coisas novas todos os dias. “As pessoas têm feito coisas na periferia o tempo todo. Elas ocupam as ruas com manifestações artísticas e sociais. Há todo um universo que vem sendo trabalho”. Sobre o funk, ao ouvir, se incomodava. “O ambiente das músicas era extremamente machista. Algumas vezes era misógino, homo/lésbico/transfóbico, e, portanto, não havia a representação que se esperava”, disse ao Mural.

Sobre o bairro, a mudança é gradual. “Em novembro passado houve o ‘Periferia Preta’ com artistas que trouxeram manifestações artísticas sobre a consciência negra e o respeito aos gêneros. Ajudou a superar uma das etapas. Mais recentemente, fizemos um evento que chamei de ‘Enviadecendo a Juta’”, conta.

Pessoas de outras regiões participaram e ela acabou aproveitando para gravar o clipe da sua música ‘Enviadecer’. Até esta publicação, o vídeo tinha mais de quatro mil e quinhentas visualizações no YouTube.

“Não vai ter golpy”

Segundo Linn, a turbulência política também chega à periferia. “Acredito que a periferia é mais pressionada por este contexto político. As pessoas aqui têm que trabalhar, ralar e dar duro todos os dias numa época em que as pessoas estão ‘mais políticas’ (sic). Neste contexto, é ainda mais importante atuar e fazer coisas”, afirma.

“Não adianta falar numa linguagem acadêmica, é preciso ter algo mais acessível. As pessoas querem que depois de um dia inteiro de trabalho a gente entenda comentários com uma linguagem diferente?”.

Em um dos posts nas suas redes sociais, Linn lança um aviso: “Não vai ter golpy, vai ter viadagem”, uma mensagem bem-humorada em meio a tanta desarmonia.

Lucas Meloni, 25, é correspondente no Jardim Sapopemba
@LucasMeloni
lucasmeloni.mural@gmail.com

 

SAIBA MAIS:

Professora cria ‘vaquinha on-line’ para apresentar artigo sobre funk, nos EUA
Jovem quer mostrar a sua realidade com o funk
Interesse de pesquisadores pelo funk aumenta na área acadêmica