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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Filosofia atrai público para o Grajaú

Por Blog

Já é hora do pôr do sol quando um grupo formado por mais ou menos 30 pessoas se reúne no Grajaú, zona sul, para participar de um Café Filosófico e refletir sobre Páscoa, ética e consumo. O encontro acontece há seis anos, apresenta um tópico diferente para debate a cada mês e faz parte das Rodas de Construção de Conhecimento promovidas pelo Centro de Arte e Promoção Social Grajaú (CAPS).

Em círculo, os participantes têm oportunidade de falar e expor o que pensam sobre o tema do dia. “Aqui é um diálogo aberto”, comenta Luan Siqueira, 23, um dos mediadores. As Rodas atraem pessoas de diferentes idades e regiões. Além do Grajaú, há quem seja do Jacira, Parque Santo Antônio, Guacuri, Campo Limpo, Belém, centro e ABC Paulista.

Maria Vilani, 65, professora e uma das fundadoras do CAPS conta que começaram com apenas três pessoas, sendo elas as próprias integrantes da instituição. Passado o tempo, houve encontro que reuniu mais de 80 pessoas. Mas quantidade não é algo que preocupa Vilani. “Nós não procuramos demanda”, comenta.

O trabalho do CAPS existe desde 1990, mas não era em formato de roda. A primeira atividade com o intuito de compartilhar conhecimento se chamava Especial Poético. Hoje as ações acontecem na Casa de Cultura Palhaço Carequinha, mas no início da década de 1990 o palco das atividades era a casa da própria Maria Vilani, moradora do Grajaú há mais de 40 anos.

O professor e integrante do CAPS Israel dos Santos, 61, comenta que as Rodas são guiadas por voluntários e que uma vantagem de ter conseguido espaço na Casa de Cultura é a localização, pois está próximo da Estação da CPTM e do Terminal Grajaú. Já a atriz Dora Medina, 58, chama a atenção para apropriação das atividades culturais pela população. “Muitas pessoas não sabem o que acontece aqui. Tem gente que reclama que não tem nada para fazer sábado a noite e nós temos Rodas nesse dia”, salienta.

Questionada sobre se os encontros podem ser usados como exemplo para quem pensa que a periferia é um lugar sem conhecimento, Vilani responde que “a ideia de falta de saber é puro preconceito, pois todos nós sabemos algo”. Já o grafiteiro grajuense Mauro Neri, 35, comenta no decorrer de uma Roda de Estudos da Arte que a periferia é uma produtora de cultura.

O Café Filosófico acontece no primeiro sábado de cada mês após o Pingado Filosófico, uma Roda que também tem música e é dedicada a adolescentes. Os sábados seguintes são envolvidos por mais seis Rodas. São elas: Estudos Jurídicos, Poesia, Estudos da Arte, Ciência da Religião, Educação e Estudos Afro-Brasileiros.

Os temas e horários das Rodas são divulgados nas redes sociais do CAPS.

Priscila Pacheco, 28, correspondente do Grajaú
@pricsp
priscilapacheco.mural@gmail.com

 

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