Aguapés atrapalham balsas e prejudicam moradores na Ilha do Bororé

Por Blog

“O direito ao transporte aqui na cidade de São Paulo também é um direito para a gente não se confinar. A população daqui da Ilha do Bororé está sendo confinada”, reclama Irineu Freire Santana, 43, porteiro e morador da Ilha do Bororé.

A reclamação surge durante uma conversa sobre a paralisação das balsas por causa do acúmulo de aguapés, plantas aquáticas, nos cabos das embarcações na represa Billings.

O bairro localizado no distrito Grajaú, na zona sul de São Paulo, apesar do nome, não é uma Ilha. Trata-se de uma península, mas o principal ponto de acesso para o restante da capital é pela Balsa Bororé – conhecida como Primeira Balsa, por onde passa a única linha de ônibus da região. O outro ponto de saída é composto por trechos esburacados de estrada de terra.

As paradas da balsa são frequentes e podem durar mais de três horas. Para resolver o problema, os funcionários das locomoções retiram as plantas dos cabos de modo manual, muitas vezes com um facão. Também há um barco para auxiliar na eliminação das plantas.

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“Mas o barco que tira os aguapés às vezes quebra”, comenta o pedreiro Edwaldo dos Santos, 55. O problema não é restrito a Primeira balsa, pois a Segunda que faz a travessia da Ilha do Bororé para a cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, enfrenta os mesmos obstáculos.

A Balsa Bororé costuma fazer a travessia lotada de veículos e pessoas principalmente durante o dia. Além disso, nos horários de pico e fins de semana a fila de espera de automóveis para atravessar chega a 40 minutos ou mais. O ônibus possui prioridade.

As plantas que interferem na movimentação das balsas são filtros naturais da água, mas a proliferação exagerada indica um ponto negativo – a poluição ambiental. Os poluentes geram bastante matéria orgânica para o crescimento da vegetação.

O Mural entrou em contato com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), responsável pela represa e balsas, para saber se há medidas para conter a poluição da Billings e para fazer limpeza preventiva nos cabos das embarcações. Mas a instituição não retornou até a publicação deste texto.

Priscila Pacheco, 28, correspondente do Grajaú
priscilapacheco.mural@gmail.com

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