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Em clima olímpico, Remada na Quebrada atrai crianças no Grajaú

Por Blog

Julia Victória Bião, 12, sonha ser uma atleta profissional no remo e ganhou de presente do pai um caiaque. A estudante participa do projeto Remada na Quebrada, ação mantida por moradores do Grajaú para estimular a prática do remo e o contato com a represa Billings, que margeia todo o distrito do extremo sul de São Paulo.

A canoagem é uma das principais esperanças de medalha para o Brasil nos Jogos Olímpicos e teve hoje (16) a conquista da prata com Isaquias Queiroz.

Na zona sul paulistana, Julia rema há um ano, desde que o projeto começou. “Quanto mais atividade assim para a criança, mais ela evita fazer coisa errada, usar drogas”, comenta Julia. O remo se tornou também uma espécie de tratamento.

“Eu quebrei o ombro quando era menor e o médico disse para fazer exercícios, mas eu não conseguia mexer muito o braço. Depois que comecei a remar foi melhorando”, conta. Além do esporte, ela também almeja ser bióloga ou veterinária.

As atividades ocorrem no Parque Linear Cantinho do Céu, localizado no Lago Azul, um dos bairros do Grajaú e cerca de 50 crianças estão inscritas – algumas sempre participam das aulas que ocorrem uma vez por mês, outras vão de forma esporádica.

Cerca de 50 crianças se inscreveram para participar (Foto: Priscila Pacheco/Folhapress)
Ferruge e Rogério Nunes atuam no Remada na Quebrada (Foto: Priscila Pacheco/Folhapress)

O criador do Remada na Quebrada é Adolfo Duarte, 35, conhecido como Ferruge. Morador do Grajaú desde 1990 e professor de história, ele costumava remar na represa Billings por lazer com o filho. Ali começou a entender a dimensão do bairro e que outras pessoas poderiam seguir o mesmo caminho. “Entendi o que é a quebrada por meio do remo”, salienta.

As crianças percorrem cerca de 500 metros inicialmente e, por enquanto, não participam de competições. A ideia é trabalhar a vivência do remo e, no futuro, atuar com a modalidade k1 (modalidade de caiaque para 1 pessoa). Também há o desejo de investir na canoagem em grupo.

Para realizar as aulas, ele arrecadou dinheiro para comprar um barco, caiaques e coletes salva-vidas. Também ganhou uma canoa. Ele recebe a ajuda de Rogério Nunes, professor de matemática e física.

Apesar de morarem no Grajaú há décadas, os dois professores se conheceram somente em um curso da marinha, quando buscavam tirar habilitação náutica.

Nos encontros de remo, Ferruge costuma aproveitar as habilidades de historiador para começar o esporte com uma roda de conversa sobre a construção da represa Billings, a transformação dela e da metrópole, os impactos ambientais e o relacionamento da população com a água.

Cerca de 50 crianças se inscreveram para participar (Foto: Priscila Pacheco/Folhapress)

“Tem uma menina que falou que não sabia que a represa tinha coisa legal. Outra pensou que aqui era para jogar lixo”, comenta Julia.

Para manter o projeto, o historiador faz passeios agendados de barco pela represa nos fins de semana. As atividades turísticas apresentam pontos que fazem parte do ecoturismo do extremo sul e também propõe uma discussão histórica sobre a água e a cidade.

“A gente usando o espaço mostra que está ocupado, que tem lazer. Aqui é muito abandonado pelo poder público”, comenta Ferruge.

Priscila Pacheco, 28, correspondente do Grajaú
priscilapacheco.mural@gmail.com

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