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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Moradores se revoltam contra mudanças em plano diretor de Embu das Artes

Por Blog

Na segunda-feira (19), moradores da cidade de Embu das Artes, ao sudoeste da Região Metropolitana de São Paulo, lotaram a Câmara Municipal, onde foi apresentado o Projeto de Lei Complementar nº 10/2016, que altera o Plano Diretor em 12 pontos que incluem a redução de áreas de interesse ambiental e interesse social.

Uma breve apresentação da revisão, feita pelo Secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, José Ovídio, ressaltou a priorização de Zonas Urbanas Consolidadas e Empresariais, sob o argumento de atender às demandas já existentes nos locais.

A explicação causou descontentamento entre o público presente, que se manifestou totalmente contrário. A maior insatisfação se deu em relação a três áreas de interesse ambiental, que seriam substituídas por áreas urbanas; e três áreas especiais de interesse social, que seriam substituídas por áreas urbanas e empresariais.

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Ao todo, 29 moradores pediram a fala e exigiram a suspensão da audiência pública, apoiados por entidades de lutas sociais, movimentos de moradia e movimentos ambientais. Entre as associações, estavam presentes membros da Ordem dos Advogados do Brasil e da Sociedade Ecológica Amigos de Embu, atuantes há mais de 40 anos na cidade.

Após todas as manifestações, Ney Santos, que é candidato a prefeito, disse que “o povo elegeu o prefeito Chico Brito” e com isso “deu a ele um voto de confiança para que ele decida o que é melhor para a cidade”. Disse ainda que se a população não concorda com as mudanças propostas, a casa legislativa vai avaliar melhor.

Projeto de lei não foi votado

Na sessão plenária desta quarta (21), o projeto não foi votado pelos vereadores. Já na abertura da sessão, o presidente da Câmara informou que a prefeitura ainda não enviou a proposta oficialmente para o legislativo e que, por esta razão, o assunto não seria votado.

Ele sugeriu que os movimentos formassem “uma comissão para falar com o prefeito, a fim de entrar em um acordo e entender o que está sendo feito”, porque quando o projeto chegar, os vereadores precisarão se posicionar.

Na prática, essas alterações valorizam o espaço, encarecem o custo de vida e reduzem a qualidade e bem-estar dos cidadãos, uma vez que a especulação imobiliária se sobrepõe aos interesses do povo.

Moradores que pagam aluguel já se veem obrigados a deixar suas casas para morar em municípios mais afastados, devido ao aumento dos preços  uma casa com quatro cômodos na cidade tem o valor médio de aluguel entre R$ 800 e R$ 1.200, onde a média da renda per capita, na base de dados do IBGE de 2012, não chega a um salário mínimo (R$ 880).

A cidade tem sua área verde protegida por lei federal, que determina ocupações e desenvolvimentos sustentáveis. Na prática, o crescimento acelerado, com foco em indústria, atropela o patrimônio natural e expõe os moradores às fragilidades de uma natureza ameaçada.

Sílvia Vieira Martins, 35, é correspondente de Embu das Artes
silviamartins.mural@gmail.com

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