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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Pais de alunos acampam contra demolição de escola municipal, na zona leste

Por Blog

Pais, mães e moradores da região de São Mateus, zona leste de São Paulo, estão desde a noite de segunda-feira (10) acampados em frente à Escola Municipal de Ensino Fundamental Visconde de Taunay.

Eles afirmam que tiveram acesso a documentos que revelam que o prédio da escola, construído na década de 1970, será demolido para reconstrução e, por isso, todos os alunos teriam que ser transferidos para outras unidades escolares.

Na carta escrita pela comissão que ocupa a calçada da escola, na Avenida Casa Grande, 566, Vila Cunha Bueno, os alunos destacam que a promessa da Prefeitura é que as obras no colégio comecem no dia 20 de dezembro.

Por ser nos últimos dias de mandato da gestão Fernando Haddad (PT), acreditam que a escola será desocupada, e as obras não serão realizadas, por não fazerem parte dos projetos do prefeito eleito, João Doria Jr. (PSDB).

De acordo com os ocupantes, a unidade sofre com problemas de enchentes todo início de ano, e tem problemas hidráulicos e técnicos. No início do primeiro semestre, de acordo com os pais, o local ficou interditado por quatro dias enquanto passava por manutenção.

Apesar de reconhecerem os problemas que a escola passa, os ocupantes dizem não acreditar que a inatividade e a demolição sejam a saída, e que essa medida vai prejudicar muito a vida dos pais e dos próprios estudantes, transferindo-os para colégios distantes de suas residências. “Não queremos que nossas crianças fiquem estudando longe de casa sem necessidade”, diz a carta.

O Mural entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação, no entanto, não obteve resposta até o fechamento da matéria.

Leia a carta completa, redigida por pais dos alunos e moradores da região:

“Nós, comunidade do Visconde de Taunay, indignados com a prefeitura de São Paulo, representados especificamente pela secretaria de educação e de São Mateus. Pela maneira como está unidade escolar vem sendo tratada ao longo do tempo.

Nosso prédio foi construído no início da década de 70. E hoje carrega as fragilidades que o tempo impõe a uma edificação com esta idade somado a falta de manutenção necessária. Há anos, pelo menos desde 2007, solicita-se uma reforma de pontos importantes. Até vieram algumas reformas pontuais porém, insuficientes. Todo início de ano, temos problemas com as chuvas. Ao longo do ano, temos problemas tanto hidráulicos como elétricos. E sempre com soluções paliativas.

No início de 2016, recebemos a notícia de que a escola ficaria interditada. E assim ficou por quatro dias. Após este fato, nos comunicaram da condenação do prédio. Que seria demolido e uma nova construção seria necessária. Que as crianças seriam distribuídas entre outras escolas do estado e município.

Diante do fato, a comunidade preocupada com o fato é velocidade dos acontecimentos buscou informações, e questionou sobre o ocorrido. Diante disso, nos deram acesso ao tal laudo que condenava o prédio. Ao ler, vimos que falava dos problemas de que tínhamos conhecimento porém não condenava o prédio. Sendo assim, não havia necessidade de interromper o ano pedagógico.

Soubemos também que havia um projeto porém precisava atualização. Que ainda não havia licitação para o projeto nem para a construção. Também não havia verba destinada a construção de um novo prédio no orçamento. Assim como não há para demolir nem reformar. E com isso, adiou-se o fechamento da unidade.

Agora em setembro, volta a tona a história de fechar a escola, realocar os alunos para demolir o prédio é refaze-lo. Porém, estamos num fim de administração. Há uma troca de prefeito é projeto para o município. E indicam como possível início de obra depois de 20 de dezembro.

Não temos segurança que a obra da escola não terá um destino semelhante as obras só monotrilho por exemplo. Que a cada ano tem o prazo estendido. E nossas crianças fiquem estudando longe se casa sem necessidade.”

Kaique Dalapola, 22, é correspondente do Grajaú
kaique.mural@gmail.com

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