Eleição em Guarulhos mantém baixa representação feminina na cidade

Por Blog

Sem candidatas à prefeitura e apenas quatro mulheres eleitas neste ano entre os 34 vereadores, a representatividade feminina continua baixa na política de Guarulhos, na Grande São Paulo.

O município ainda terá a disputa do segundo com Guti (PSB) e Eli Corrêa Filho (DEM) no páreo – ambos escolheram homens para a vaga de vice.

Para moradoras, a eleição de mais mulheres acabaria com a invisibilidade das questões femininas nas políticas públicas e somente essas representantes compreenderiam a necessidade de investimentos que promovam autonomia e empoderamento femininos.

“Precisamos de uma real representação que reflita a nossa composição social enquanto mulheres negras, periféricas e trabalhadoras”, conta Stéfanie Fanelli, professora e moradora de Guarulhos.

“Há mulheres que chegam ao poder, mas estão representando os ricos e isso não adianta pra nós que dependemos dos serviços públicos e sofremos com a precarização em nosso dia a dia”, completa.

Conselho de política para as mulheres defendem que outras políticas além das cotas sejam usadas (Foto: Divulgação0
Conselho de política para as mulheres defende outras políticas além das cotas nos partidos (Foto: Divulgação)

A cidade possui a segunda maior população do estado de São Paulo, com  1,3 milhão de habitantes, dos quais 51,3% são mulheres. Já o eleitorado feminino representa 53% e, em maior parte, com idade de 30 a 34 anos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No entanto, o quadro de sub-representação feminina na Câmara Municipal e nas eleições é constante. Guarulhos nunca teve uma candidata à prefeita. Neste pleito, teve 31% de mulheres de seus 1.186 candidatos à vereança e apenas duas candidatas a vice-prefeita – Adriana Afonso (PMN) e Magna Freitas (PTB).

Foram eleitas para a Câmara Municipal a ex-deputada Janete Pietá (PT), Genilda (PT), Verinha Sousa (PMB) e Sandra Gileno (PSL).

Nesta eleição, alguns partidos tiveram desfalque nos candidatos do gênero feminino. Segundo a Lei 12.034/2009, cada partido ou coligação deve ter pelo menos 30% das candidaturas de cada sexo.

O PSDB, que indicou 15 mulheres entre seus 51 candidatos, não atingiu a percentagem mínima e teve de retirar um dos homens da disputa para que a chapa fosse aprovada. Outras siglas só alcançaram o mínimo exigido por se unirem em coligações.

Para Cássia Gomes, presidente do Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres, o sistema de cotas para as coligações dos partidos não é suficiente para corrigir a distorção.

“Embora se candidatem e disputem os pleitos eleitorais, as mulheres não conseguem se eleger porque, dentro dos partidos, suas candidaturas são minimizadas ou tratadas apenas como necessidade de cumprimento de cotas”, argumenta.

O histórico da cidade expõe essa desproporção. Nas eleições de 2004, dos vereadores eleitos, apenas quatro eram mulheres. No pleito seguinte, em 2008, seis candidatas se elegeram. Já em 2012, o número caiu para duas. No mandato atual, a vereança da cidade conta com quatro – duas delas, suplentes.

Tamires Tavares, 25, é correspondente de Guarulhos
tamirestavares.mural@gmail.com