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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Com falta de obras sobre Guaianases, professora decide escrever livros sobre o bairro

Por Blog

Começou na sala de aula. Os alunos envolvidos. Os professores animados. Depois vieram as histórias com seus personagens, o interesse pela própria origem e a descoberta do bairro. “Não era para ser um livro, mas uma apostila. Eu estava fazendo para usar na escola, pois os alunos não conheciam a história da região”, relembra a professora da rede pública Sandra Cristina Szittiko Ramos, 48.

Professora de português, Sandra dava aulas em uma escola pública de Guaianases, na zona leste de São Paulo e, na procura de métodos diferentes de ensino, desenvolveu uma gincana escolar com o objetivo de ensinar a história do bairro, que nasceu da tribo dos índios Guaianás.

Nasceu assim o  “Guaianases: Nosso Bairro, Nossa Vida”. O projeto oferecia, em forma de desafios entre as turmas, orientações para que os alunos pudessem contar as memórias do bairro de acordo com suas descobertas. No meio do caminho, as pesquisas na biblioteca do bairro não ofereceram muitos resultados.

“Só tinha uma pasta com três folhas no acervo do espaço”, ressalta Sandra, que aprendeu com a mãe a importância de conhecer onde se mora.

Com a experiência, a professora decidiu escrever uma apostila com a história condensada de Guaianases.  No entanto, ao saber do material, um jornalista da região considerou que aquelas pesquisas valeriam um livro. Assim nasceu a primeira obra, que leva o mesmo nome do projeto escolar. Desde então, três volumes já foram escritos, sendo um infantil.

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Trabalho começou com atividade na escola (Foto: Lucas Veloso/Folhapress)

“Não temos que pesquisar só as famílias que têm nome e dinheiro, pois teve a mão de obra também. Alguém teve que construir Guaianases”, acrescenta a professora. O livro voltado às crianças possui uma leitura simples, com ilustrações coloridas e a história resumida em poucas páginas. A publicação foi adotada na escola em que ela leciona.

“Acho importante um livro assim, porque eu não conhecia onde moro, mesmo tendo nascido aqui”, relata a estudante Vitória Oliveira, 14, aluna da educadora.

Segundo a professora, o processo de escrita durou cerca de três meses, com entrevistas, fotos, visitas aos espaços históricos e diagramação do material. Por conta das diversas colaborações que teve, Sandra afirma constantemente que os volumes são, na verdade, uma obra coletiva em prol dos moradores.

Apesar de todo esforço e pesquisa, o acervo da biblioteca municipal do distrito não possui um exemplar. “Eu queria que cada morador tivesse um livro. Se for para ter na biblioteca, eu tenho que comprar e doar. O livro chegou à faculdade de Guarulhos [na Grande São Paulo], mas aqui mesmo não tem ainda. Olha que loucura?”, questiona.

“Cora Coralina começou a escrever com 14 anos, e quero incentivar com meus livros as crianças também. Temos que semear histórias para colher escritores”, aconselha a professora, citando a autora que dá nome a biblioteca do bairro.

Lucas Veloso, 22, é correspondente de Guaianases
lucasveloso.mural@gmail.com

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