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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Após serem barradas, drag queens fazem ‘beijaço’ e desfile em shopping na Penha

Por Blog

Uma semana depois de serem impedidas de entrar no shopping Penha, na zona leste, um grupo de drag queens fez uma manifestação no local neste domingo (5). O ato teve discursos, desfile e um “beijaço”.

O evento Nenhuma Drag Será Barrada foi organizado via redes sociais e levou cerca de cem pessoas ao local. Dessas, 30 estavam “montadas”, com roupa e maquiagem.

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No domingo passado (29), alunos de um curso de drag queens tentaram almoçar no shopping e foram barrados. “Quando chegamos, o segurança na porta nos impediu, alegando que a gente estava com a maquiagem que ocultava a face e que isso é proibido nesse estabelecimento. Então, ele separou as pessoas e fomos discriminadas”, relatou Crystal Emanuelle, 24.

O público começou a chegar no ato por volta das 16h30 e foi se juntando na entrada. Logo, havia um grupo grande com cartazes contra a homofobia e contra as atitudes do shopping.

Alguns dos manifestantes fizeram discursos. “Estamos na zona leste, onde times de futebol são muito fortes. O Corinthians foi campeão, os torcedores saíram de Itaquera e vieram comemorar aqui no shopping Penha. Eles vão entrar com bandeiras, com as camisetas, vão estar pintados com as cores do seu time favorito. Podem ou não entrar? Podem!”, comparou Valder Bastos, a drag queen ‘Tchaka, 40.

Em seguida, o grupo entrou no shopping. Ao passar pelos corredores, cantaram lemas como  “Se me barrar, não vou deixar / Vai ter drag todo dia” e “Se minha make é forte / A minha voz também”.

Dentro do estabelecimento, o grupo promoveu um “beijaço”, um desfile de fantasias na praça de alimentação e nas escadas rolantes, fizeram algumas acrobacias e tiraram fotos com os policiais. Elas receberam aplausos dos frequentadores.

Para Livia Shazann, 22, moradora da Penha, a atitude do shopping é injustificável. “Todo ser humano tem dinheiro, a gente também tem. Somos seres humanos e temos direito de ir e vir. Onde eu moro, sou mais respeitada do que aqui no shopping, que sociedade é essa?”, questiona a drag queen.

“Nós, os LGBT’s sofremos todo dia, o preconceito, a segregação, a desilusão, nos jogam na margem, nos apontam, nos matam penas por nós sermos LGBTs. Mas agora é assim: não gostou, não se enquadrou, volta para as cavernas, porque o mundo mudou”, ressaltou Tchaka.

Em nota, o shopping Penha afirmou que a equipe de segurança já foi orientada para que atitudes dessa ordem não aconteçam mais, além de afirmar que o espaço é aberto à comunidade, independentemente de suas diferenças.

Lucas Veloso é correspondente de Guaianases
lucasveloso.mural@gmail.com

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