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Atriz de São Bernardo aborda depressão em documentário e ganha prêmio em Portugal

Por Blog

Após ter sofrido diversas frustrações com trabalho, faculdade e o término de relacionamento, a atriz e diretora Mariana França, 29, descobriu em abril de 2015 que estava com depressão e resolveu gravar pequenos vídeos com registros do que vivia.

Um ano depois, essa ideia se transformaria no documentário Clausura, que recebeu nesta semana os prêmios PrimeirOlhar e PrimeirOlhar Cineclubes, no 17º Encontro de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal.

“Expor o documentário é um processo de cura, porque reabriu feridas do passado e me fez reler coisas, ver vídeos e ser mais consciente a dor e não levar tudo para a emoção”, comenta a atriz, moradora de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

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Antes de desenvolver o projeto, ela parou as atividades no teatro e no circo por conta do estágio avançado da doença. No segundo semestre de 2016, estudando no Centro de Audiovisual de São Bernardo, ela começou a preparar o trabalho de conclusão do curso de Cine Tv, e o professor de produção propôs que os alunos trouxessem sinopses para desenvolver os projetos.

Um deles foi o Clausura. O nome vem da sensação de se fechar e não conseguir se expressar por medo de mostrar os sentimentos, viver enclausurado.

As gravações foram feitas em São Bernardo dentro do Cav, na residência da atriz Vila Marchi e em São Paulo com outros artistas que tiveram o mesmo problema, só que com reações diferentes.

Segundo Mariana, o questionamento do documentário não era falar apenas da depressão, mas como a doença interfere no processo criativo dos artistas. Foram quatro meses de preparação e 15 pessoas participaram do projeto.

“O nosso ideal é levar a mensagem a respeito da doença e mostrar o diferencial e não dados como se vê na mídia, mas provocar por meio da inspiração artística”, ressalta.

Depois da exibição na banca do curso, os alunos foram incentivados a dar continuidade ao trabalho. O Clausura foi inscrito em cerca de 40 festivais e mostras nacionais e internacionais. Foram quatro exibições, duas em São Paulo, uma em Minas Gerais , Paraná e em Portugal.

A diretora não pode viajar para receber a premiação por falta de recursos, mas recebeu um email com a notícia da escolha dos jurados foi unânime.

Para Gildo Antonio Vicente da Silva, 24, fotógrafo e diretor do Clausura, o documentário ajuda a colocar o tema em discussão.  “O trabalho foi importante para desmitificar a doença e tentar entender de outra forma, observar diálogos internos e explorar pontos da vista diferentes”.

Depois do prêmio internacional, eles têm o projeto de fazer uma série para TV com histórias inéditas. O objetivo agora é exibir o documentário e buscar financiamentos para mostrar para a população que é possível superar e vencer obstáculos.

Kátia Flora é correspondente de São Bernardo

katiaflora.mural@gmail.com

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