Alunos assumem gestão e revitalizam biblioteca de escola na zona norte

A biblioteca da Escola Estadual Professor Flaminio Favaro, na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo, estava fechada há pelo menos dois anos pela falta de funcionários. Foi então que um grupo de alunos resolveu assumir a gestão do espaço para escrever uma nova página na história do local.

Tudo começou há um ano e meio, com a iniciativa de duas ex-alunas, Ana Marcia e Dayane Fernandes, que na época cursavam o terceiro ano do ensino médio. Junto com outros colegas, passaram dois meses limpando o local, que estava cheio de livros jogados e até com alguns bichos.

Após a limpeza e organização do espaço, o acervo de livros aumentou de 4.000 para 6.000 livros. Hoje parte do catálogo da biblioteca vem de doações. Cerca de mil livros foram doados por pessoas que se interessaram pelo projeto.

“No começo foi complicado, mas o resultado foi positivo. A gente conseguiu organizar melhor do que um funcionário, que se sente naquela obrigação de ter que fazer. Já para o aluno, não.  Este é o espaço dele”, opina Renê Guerra, 15, estudante do primeiro ano do ensino médio, que coordena a biblioteca há cerca de um ano.

Além dele, mais quatro estudantes estão no comando da biblioteca. O espaço recebe cerca de 150 estudantes por dia durante os intervalos de aula, nos períodos da manhã, tarde e noite.

Os idealizadores sempre contaram com o apoio da direção. Uma professora de artes da escola, Patrícia Oliveira, auxilia no projeto. Entre outras atividades, ela organiza passeios dos estudantes para outras bibliotecas.

Além do empréstimo de livros, os alunos realizam rodas de leituras, debates e teatros de fantoches no local, com objetivo de atrair mais público.

Os frequentadores também apoiam o projeto. A aluna Raabe Cristina, 14, está há um ano na escola, onde cursa o oitavo ano, e conta que notou uma diferença positiva na nova instituição. ”A biblioteca da antiga escola não era acessível aos alunos, só os professores pegavam livros”, lembra.

Os campeões de saída na biblioteca são os títulos de Agatha Christie e o livro “As 100 Melhores Histórias da Mitologia”, de A. S. Franchini.

Raphael Preto é correspondente da Vila Guilherme
raphaelpreto.mural@gmail.com

Comentários

  1. …..enquanto isso o Prefeito “Seu Juão Trabaiadô ” deve estar tirando selfs láááááá do outro lado do mundo , talvez com algum gari Coreano ou Americano. Faz nenhuma falta por aqui , ah sim , faz falta prá mídia distrair os bobinhos .

  2. Ao assumirem responsabilidades, esses jovens geraram impacto positivo e valor para outras pessoas. Parabéns!!

  3. o Instituto Cultural Itaú deveria mandar todos os livros publicados por ele como presente!
    Parabens !

  4. Parabéns! Tentem levar seus pais para a escola, tentem interagir com eles, sugiram que eles assistam a algumas aulas com vocês. A escola é dos alunos, da família, da rua , do bairro, da cidade, do estado e do país. Também das igrejas, do supermercado, dos salões de beleza, das oficinas mecânicas, das marcenarias, do posto de gasolina, dos bares, restaurantes, mercadinhos, papelarias. Não cito livrarias porque acredito que não existam, assim como museus , mas os possíveis parques, sim. Não posso deixar de citar os funcionários, os diretores, coordenadores, todos enfim. Com humildade sugiro a leitura e a montagem de Medéia de Eurípedes.Vocês são pequenas luzes que aquecem minha esperança.

  5. Acho fantástico quando os alunos assumem a gestão de espaços das escolas. Isso me dá até uma certa esperança. Já tive a infelicidade de me envolver em diversos projetos de auto-gestão, e sei por experiência que isso não dá certo em 90% dos casos, e mesmo os casos que deram certo não são exemplos de eficiência. Parabéns aos alunos que resolveram fazer a biblioteca funcionar.

  6. Parabéns aos envolvidos! Se os estudantes de escolas públicas se envolvessem assim com as bibliotecas de suas escolas o Brasil seria um país melhor. Se mais diretoras de escolas liberassem o espaço para os alunos ao invés de deixar os livros trancados numa sala, isso poderia acontecer mais vezes.

  7. Obviamente, não havia Bibliotecário (Bacharel em biblioteconomia) nesta escola… infelizmente quadro recriado na maioria das escolas brasileiras… e assim os acervos não são utilizados como deveriam e tantos outros conhecimentos são desprezados… e o pior ainda, é que se confirma a ideia, para os leigos, de que biblioteca escolar de fato não serve para nada.

  8. Crianças administrando bibliotecas escolares? Em países desenvolvidos são Bibliotecários que as administram. Caso houvesse um profissional habilitado para capacitar essas crianças, elas poderiam se enquadrar como aprendizes. Do contrário, é trabalho infantil pois assumem responsabilidades de adultos. Essa realidade é muito triste.

  9. Parabéns a todos que se empenharam para que o projeto pudesse acontecer. Vocês são protagonistas de suas escolhas literárias, e agora serão divulgadores de leitura! Isso precisa ser muito divulgado e multiplicado.
    Para que vocês possam manter vivo todos os projetos, sugiro que criem um blog da biblioteca.
    Muitas leituras!
    ” Ao longo de uma vida inteira de leituras, percebi que entre as maiores virtudes da literatura, está que ela é capaz de nos distrair de nós mesmos, e isso ajuda muito a aliviar a dor de existir, sobretudo num mundo tantas vezes cruel e injusto como o nosso.” Simone Paulino

  10. A situacao das bibliotecas nas escolas estaduais do governo Geraldo Alckmin eh deprimente . Infelizmente sao apenas depositos de livros e apostilas. Dinheiro publico jogado fora com a cumplicidade de diversos diretores. Ministerio publico deveria olhar essa questao !!

  11. A iniciativa louvável desses alunos da Escola Estadual Professor Flamínio Favaro tem uma origem triste: o descaso com a Cultura, pelos donos do poder (por mais restrito e diminuto que seja este poder).
    Mas neste Brasil de gente “cri-ativa” há remendos gloriosos para tudo. Este é mais um deles.
    Nosso Brasil me lembra aquelas colchas feitas de retalhos (remendos) de cores vivas e estampados alegres.
    Seremos sempre como essas colchas?

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