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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Lançamento de livro e aniversário marcam 23ª edição do Sarau Militantes, em Osasco

Por Blog

Já passava das 19h da última sexta-feira (14), quando as primeiras músicas atraíram o público, formado em sua maioria por jovens, em frente ao bar da Nena, no Jardim Conceição, em Osasco, Grande São Paulo. Estava prestes a iniciar a 23ª edição do Sarau Militantes.

O evento, que teve início em 2015, surgiu a partir da iniciativa do estudante de enfermagem Julio Cesar Oliveira, o Militante, 34, e de um amigo DJ. Influenciados por movimentos artísticos da zona sul de São Paulo como o Sarau do Binho e o Sarau da Cooperifa, eles decidiram organizar um sarau em seu bairro, o Jardim Conceição, ao perceberem que a população não tinha acesso a atividades como essa.

“Sabemos o quanto a quebrada precisa de cultura e entretenimento. Misturamos essas duas coisas para que as pessoas possam curtir e ter consciência também”, contou Militante.

O nome do sarau é o mesmo do antigo grupo de rap que o organizador participava. “Milito por várias causas, pelo hip-hop, militância ateísta, pela questão das mulheres, pela questão racial. Cada um tem sua forma de militar e o nome vem daí”, explicou o jovem.

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Enquanto o microfone para declamação de poesias não era aberto, os participantes do evento conversavam e divertiam-se ao som das picapes do DJ. Entre uma pausa e outra do som, o organizador chamava ao microfone, um por um, os interessados em recitar poesia, fazer alguma reflexão ou desabafo ou tocar instrumentos.

A estudante de jornalismo Amanda Sthephanie Silva, 20, moradora do bairro, participa do sarau há cerca de um ano e meio. “Foi o primeiro onde declamei poesia. Já escrevia desde criança, mas não tinha viés político, social. É o sarau do meu coração, que sempre vou lembrar e o quanto ele contribuiu para o meu crescimento e quem eu sou hoje”, contou a jovem, que declamou uma poesia refletindo sobre a chacina no bairro em abril deste ano e que deixou quatro mortos.

Além da música e microfone aberto ao público, o evento possui uma atração fixa que abre espaço para o trabalho de novos artistas. Nessa edição, a escritora Marah Mends, 36, apresentou o livro “O povo de rua resiste!”. “É basicamente uma obra de poesias com 64 páginas que conta as histórias das pessoas em situações de rua na cidade de São Paulo”, explicou a autora.

O sarau também celebrou o aniversário de Almerinda Cardoso Machado da Rosa, a Nena, gestora do CRAS (Centro de Referência e Assistência Social) 1º de maio e dona do bar há 16 anos. Nena completou 52 anos no dia 5 de julho, mas quis esperar pouco mais de uma semana para a festa.

“Decidi comemorar agora porque eu peguei um carinho pelo público do sarau. São muitos jovens, conheço todos e decidi comemorar aqui que seria o mais justo. Eles vêm ao meu bar todo mês, é um público fiel comigo”, disse Nena. Há dois anos, o bar é administrado pelo marido de Nena, Laudi da Rosa, o Gaúcho, 51. Durante o sarau, Gaúcho recitou o poema “Filhos desta Terra”, do livro “Rua de Trás”, de Sonia Regina Bischain.

“O objetivo é fazer as pessoas entenderem quais são seus direitos e como cobrá-los, além de desconstruir ideias ultrapassadas em relação às minorias”, contou Militante. Cerca de 60 pessoas participaram da edição, segundo os organizadores. O próximo sarau será realizado em 11 de agosto, a partir das 19h, no Bar da Nena, localizado na rua Uberlândia, nº4, Jardim Conceição, em Osasco.

Ariane Costa Gomes é correspondente de Osasco
arianecgomes.mural@gmail.com

 

 

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