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Projeto apoia mulheres em processo de transição do cabelo liso para o natural

Por Blog

Moradora da Chácara Santana, na zona sul de São Paulo, Evelyn Daisy, 33, colocou em prática neste ano uma ideia antiga. Para apoiar mulheres negras em processo de transição do cabelo alisado para o natural, ela criou o projeto TrançAmor.

“Por que só Mulheres? Porque o projeto é voltado para as que estão passando pela transição capilar. Aí que entram as tranças, pois quando o cabelo está nas duas texturas, natural e alisada, fica difícil de manter, não tem uma boa aparência e muitas não conseguem cortar todo o cabelo e ficar com ele curto”, explica Evelyn, que se denomina uma afro-empreendedora.

Em andamento desde o começo de outubro, o TrançAmor irá concluir o seu primeiro ciclo de atividades em março do ano que vem. Neste período, as mulheres contempladas por sorteio vão ganhar duas tranças, que duram entre dois e três meses.

Para que o trabalho seja realizado, Evelyn também conta com a ajuda de cinco trancistas voluntários: quatro mulheres e um homem.

A participante Tatiana Sccaciotti, o trancista Luiz Celestino e a idealizadora do projeto, Evelyn Daisy (Divulgação)

“Tranças são símbolos de resistência da nossa cultura. Para mulheres negras, como eu, é ainda mais importante, sinônimo de identidade”, diz a trancista Janaína Denise Pereira Lima, que conheceu Evelyn em um grupo de feministas negras no Facebook e aceitou participar do projeto como voluntária.

Entre as contempladas, está a auxiliar de serviços gerais Tatiana Sccaciotti, 34. Ela usava química no cabelo desde o tempo de escola porque queria ter o cabelo liso, como o das colegas e o da mãe adotiva.

Desde que tentou retornar ao cabelo natural, ela enfrentou uma barreira comum para as mulheres que passam pela transição: a baixa autoestima. Foi aí que conheceu o TrançAmor.

“Me inscrevi para ter a chance de passar pela transição de uma forma menos sofrida, porque é uma fase difícil para a mulher. As tranças ajudam muito na autoestima, pois não fazem só bem na aparência, mas também no psicológico”, afirma Tatiana.

Além dos trancistas voluntários, Evelyn ainda conta com apoiadores que doaram tranças e outros produtos para o projeto acontecer. “Não aceitamos dinheiro”, frisa Evelyn.

Após o término da primeira fase, em março, ela pretende continuar desenvolvendo o projeto com a ajuda de apoiadores, voluntários e até mesmo com a participação em editais. “90% de chance que continue”, finaliza.

Diogo Marcondes é correspondente de Cidade Ademar
diogo.mural@gmail.com

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