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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Horta comunitária transforma terreno baldio em área de convivência na Vila Zilda

Por Blog

Atrás da Escola Estadual Eunice Terezinha de Oliveira Fragoas, no bairro Vila Zilda, distrito do Tremembé, na zona norte da capital, o matagal em um terreno baldio incomodava moradores e estudantes. O cenário, no entanto, começou a mudar no início deste ano com a criação de uma horta comunitária.

Localizado na avenida Antonelo da Messina, o terreno baldio ganhou uma nova aparência graças ao projeto Quintal do Eunice, que tem o objetivo transformar o local em uma área de convivência e de plantio para a comunidade local.

Com a participação de moradores, o mato alto e o lixo deram espaço a uma horta com pepino, tomate, pimenta, manga, amora, abacate, jaca, bananeira, ervas medicinais e outras frutas e verduras de vários tipos.

O projeto é uma continuidade das ações desenvolvidas pelo programa Hortas e Viveiros, da Secretaria Municipal de Trabalho e Empreendedorismo, e foi viabilizado por meio de recursos do edital de Fomento às Periferia, da Secretaria da Cultura. “Desde então, nos mudamos para mais perto do terreno para participar ativamente [da manutenção da horta]”, explica o biólogo e permacultor Lincohn Zappelini da Silva, 28, mestre em saúde pública e um dos idealizadores do Quintal.

No dia em que a reportagem esteve no local, um grupo de crianças que tinha acabado de sair da escola se dirigiu ao terreno para apreciar as frutas e subir nas árvores, mas com cuidado para não pisar em nenhuma planta ou pegar algum alimento antes do período adequado para colheita.

“Já fizemos várias atividades com os estudantes da escola [Eunice Terezinha de Oliveira Fragoas]. Eles tinham aulas aqui sobre plantio. Queremos retomar em breve, mas eles participam mesmo sem aulas”, garante Rodrigo Burckauser Robert, 31, geólogo, permacultor, técnico em meio ambiente e um dos idealizadores do Quintal do Eunice.

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O geólogo também diz que os moradores trabalham ativamente na manutenção da horta. “Eles plantam e regam. Tem uns que não mexem na terra, mas ficam de olho para ninguém estragar. Todos são donos desse projeto.”

Entre os participantes, está a dona de casa Maria Regina Zorzi, 71. “Moro aqui há um ano e ajudo no que posso para cuidar desse lugar. Crio galinhas e patos e às vezes trago eles para passearem aqui. Sinto prazer em morar na região. Esse projeto é lindo demais”, conta ela, enquanto pendurava uma placa em uma das plantas. Escrita com esmalte, a frase dizia: “Não arranque, plante e colha depois”.

Quem também se engajou na manutenção da horta foi o estoquista Erick Kauan Santos Oliveira, 17. “Estudei aqui no Eunice por sete anos, e antes tinha uma trilha no meio do mato. Era estranho. Mas esse lugar foi transformado e melhorou 100%. Eu comecei a participar também, ajudo e aprendo muito aqui. Posso falar que o Quintal do Eunice transformou o lugar e até os moradores. Tudo mudou”, conta.

Na avaliação do pintor Hilton Aparecido Luiz, 46, a revitalização também ajudou a trazer mais segurança para o espaço, onde moradores relatavam assaltos frequentes e uso de drogas. “Depois do projeto aconteceu essa transformação e agora as pessoas têm paz de andar aqui. Os moradores cuidam e dão sementes para o plantio. Todo mundo ajuda”, afirma.

De acordo com Rodrigo, um dos idealizadores do projeto, o próximo passo é retirar o lixo que ainda está armazenado em uma das partes do terreno. “Aqui era um ponto viciado de entulho há mais de 10 anos. Então ainda tem muito o que retirar. Queremos reconstruir com mais plantio. Harmonizar e transformar essa cultura de jogar lixo no lugar errado”, idealiza.

Priscila Gomes é correspondente de Vila Zilda
priscilagomes.mural@gmail.com

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